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22 abril 2022

+COVID-19: de novo o R(t) acima de 1 e em alta, mas ninguém se importa muito! e depois?

 


Antonio Sousa-Uva


Há cerca de 3 ou 4 semanas, por cá, ancorados em 9.000 a 10.000 casos diários mas, agora, com um índice de transmissibilidade já acima de 1. No entanto, ninguém se importa muito já que a pressão nos hospitais (e em outras unidades de saúde é "light") e, de facto, o verdadeiro motor da luta contra a pandemia, bem como os dados de mortalidade que permanecem "desinflamados" em cidadãos mais vulneráveis. Também a nível mundial a incidência parece estar, consistentemente, a "desinflamar", com cerca de metade da população (mais ou menos) vacinada, ainda que o continente Africano apresente baixas taxas de vacinação. 


As máscaras desaparecem no final desta semana, num quadro de mais de 90% da população vacinada e de uma prevalência da doença superior a 1/3 da população a que poderá corresponder cerca de metade da população que já contactou naturalmente com o vírus. Tais dados determinam por certo alguma dificuldade na circulação comunitária do SARS-CoV-2, como de resto se vem objectivando num número já significativo de países.


No mundo já passa dos 500 milhões de casos e mais de 6 milhões de mortes por (ou com) COVID-19. Mas, em termos concretos, quantos serão? Dir-se-ia que no mínimo cinco vezes o número de casos (cerca de 1/3 da população mundial) e três vezes o número de mortos (18 milhões de mortes).


Se uma nova variante não vier a modificar o actual desenrolar da pandemia, tudo leva a  que, brevemente, o vírus se tornará endémico. Cessa por isso, julgo, o apelo de cidadania que determinou as muitas dezenas de "migalhas" destes textos que foram entendidas como um diminuto contributo para melhor lidar com a situação de Saúde Pública e, quiçá, esta será uma das derradeiras reflexões publicadas neste blog. 


O que fica por realizar é um maior investimento do país em formas mais organizadas de lidar com problemas de saúde da nossa população que se situem para além da saúde individual de cada cidadão. Se todos entendemos que a saúde de cada um dos cidadãos é muito importante, seria desejável que o país aprendesse a investir mais na área da Saúde Pública, reiteradamente negligenciada e hipovalorizada nas políticas públicas de Saúde. Não terá sido a pandemia suficientemente impactante para determinar um maior investimento nessa área?


Em tempo ...


5 de maio de 2022

Em 5 de maio de 2022 (2 semanas depois) o R(t) mantém-se acima de 1 (e em crescendo)... e a média do número de casos diários subiu para 11.000. 


18 de maio de 2022

Os "buracos do queijo suíço" voltaram a alinhar-se e, hoje, em 18 de maio a subida é cada vez maior ... (ontem cerca de 24.000). Terá mais a ver com a "variante" da variante (Omicron Ba.5) ou com a cessação das medidas de prevenção? com ambas?

Certo, certo é que a incidência nos idosos bate máximos anteriores e espera-se que a imunoterapia específica continue eficaz na prevenção da doença grave. Ou será mais uma vaga (a sexta)?

Entretanto o número diário de urgências nas unidades hospitalares sobe!

Aquele papel de sermos todos "agentes de Saúde Pública", independentemente do enquadramento legal, volta a ser indispensável para não termos "derrapagens".


25 de maio de 2022

O vírus que circula predominantemente já é a variante Omicron Ba.5 e numa semana, ocorreram mais 50% de novos casos diários (agora 36.000) ... e a mortalidade sobe mais em maiores de 80 anos ...

Já estamos no pódio em relação à taxa de incidência!

Vamos ligar às disposições de obrigatoriedade ou à nossa inteligência? Estou em crer que, por mais (e maiores) vagas pandémicas, oscilaremos quase sempre entre o 8 e o 80 ... Deve-se recordar que o que caracteriza a Saúde Pública são formas ORGANIZADAS de lidar com problemas de saúde de uma determinada população o que parece sistematicamente "atrasado" em relação ao que seria desejável. 

Será porque quer a direcção seja "top/down", quer seja "bottom/up" parece que se "colocam as fichas todas" na saúde individual? Se não é, assim parece! e a Saúde Pública vai parecendo filha de um Deus menor! 

Claro que algumas medidas, como a utilização da máscara, pode ter repercussões na "musculação" do nosso sistema imunológico em relação a outros vírus (e outros agentes microbiológicos). Tal não invalida que, mesmo não sendo obrigatória a sua utilização, se adoptem comportamentos em cada situação, exigindo uma avaliação individual do risco dessa situação concreta.

É que, mesmo com mais de 90% de vacinados e, pelo menos, cerca de 50% que contactaram naturalmente com o vírus e adoeceram, as variantes vão "contornando" a nossa "memória imunológica".  Em síntese, o vírus faz o seu trabalho e nós temos que fazer o nosso ...


02 de junho

R(t) e número de novos casos a descer. Começou o "desce" do "sobe e desce", assim parece ... Veremos o que os Santos Populares nos reservam ...


21 de junho

Consistentemente em descida mesmo 8 dias após o Santo António...


30 de junho de 2022        

Santos passados e descida mantém-se, ainda que com muito pouca testagem a realidade possa ser bem diferente da informação publicada. Não sinto ninguém muito preocupado ...


19 de julho de 2022

Ba.5 com fartura ... Agora parece que a descida é consistente e, finalmente, não estaremos muito longe do 20 óbitos por milhão a 14 dias. Em setembro virão as vacinas omicron adapted e veremos o que se passará no inverno 22/23 ... 


28 de julho de 2022

Boas notícias ... a vacina "original" parece continuar a proteger da doença grave com estas novas linhagens da omicron (menos da reinfecção, ao que parece).


14 de agosto de 2022

R(t) abaixo de 1 há muitas semanas e descida consistente de novos casos (ainda que, certamente, muitos para o pino do verão). Agora estamos nos 2 a 3 mil casos diários. Já falta pouco para o inverno 22/23 ... Entretanto nova vacina aprovada no Reino Unido que se espera com mais eficácia tanto para a doença grave como para menos grave ... Veremos o que se vai passar.


02 de setembro de 2022

R(t) acima de 1. Começa cedo ... Discreto aumento de casos diários: epifenómeno ou início de nova "lomba"? Faz-me recordar as festas de Monte Gordo, também no início de setembro onde no carrossel se ouvia, repetidamente, durante a noite: "nova volta, nova corrida". Oxalá esteja enganado ...


02 março 2022

+COVID-19: dois anos de pandemia, desde os primeiros casos!


Antonio Sousa-Uva


Faz hoje, 2 de março de 2022, dois anos de pandemia desde os primeiros casos ocorridos em Portugal. A “gripezinha”, assim designada por gente com grandes responsabilidades, virou mais que “gripezona” e, agora após a evolução da partícula viral, nove dígitos (gordos) de casos e de cerca de 2/3 da população mundial com pelo menos uma dose da vacina, tudo leva a crer, que o prefixo pan vá ficando cada vez mais puído.

Entretanto, muito sofrimento humano ocorreu, assim como milhões de mortes. E muito ainda é necessário conhecer sobre as consequências da pandemia de que a síndrome pós COVID é apenas um exemplo.

Muitas lições, espera-se, serão tiradas para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas que se devem situar muito para além da clínica individual. Aparentemente, essa clínica era praticamente a única preocupação e, por isso, é necessário robustecer formas organizadas de resposta da sociedade a outras novas ameaças que por certo virão.
 
Talvez não seja má ideia o reforço das estruturas da vigilância epidemiológica, da gestão de informação e da “musculação” de respostas organizadas (afinal, a Saúde Pública) a novas potenciais ameaças de natureza similar, para não falar do necessário reforço do investimento em literacia em saúde e de outros investimentos na Promoção e Protecção da Saúde, reiteradamente desvalorizadas. Muitas formas existem para tal reforço que não se esgotam nas abordagens para grupos (ou aspectos sectoriais) determinados, como são os exemplos da Saúde Ocupacional, da Saúde Ambiental ou da Saúde Escolar. Todavia, nem nestas áreas se investe o suficiente.
 
A Saúde Pública não é só o que se tem visto nestes dois anos: uma espécie de saúde vista pelo público e um ror de (pseudo)especialistas. Exige formas organizadas de protecção e de promoção da saúde das populações que, para além dos cuidados de saúde prestados a cada cidadão quando adoece, necessita de um grande investimento no robustecimento de meios e de recursos apropriados. Talvez resida nessa escassez uma das principais causas da insuficiência de muitas respostas em Saúde Pública, de que a resposta a uma emergência como a actual é apenas mais um exemplo.

Actuar antes que aconteça torna-se por isso decisivo, mas tal exige recursos não só de sistemas de vigilância e de intervenção, mas também de mais recursos de investigação com grande enfoque no que se convencionou denominar investigação/acção. Tal, de resto, está bem expresso na designação popular: mais vale prevenir que remediar. 

Todos conhecem o que é necessário para remediar, de que são bons exemplos os hospitais e os centros de saúde. Mas para prevenir são necessários também meios e recursos adequados e não apenas voluntarismo e boa vontade que, para alguns, parecem ser suficientes!


25 fevereiro 2022

+COVID-19: cá vamos numa descida pronunciada do pico da 5ª vaga!

 

 Antonio Sousa-Uva

 

Já não faltará muito para atingirmos quase meio bilião (na perspectiva americana, i.e. mil milhões) de casos “oficiais” de COVID-19, registados como tal o que, extrapolando para a população mundial será cerca de 10% da população mundial. O número real de casos será, no mínimo, cerca de três vezes esse número. Desses, quase seis milhões de mortos (cerca de 2/3 da população portuguesa) por (ou com) COVID!

A que número real corresponderá, conhecendo a “invisibilidade” de muitos casos, para não falar dos, por certo, inúmeros casos de COVID-infecção que não terão qualquer registo? 

A evolução da partícula viral indicia que o perfil endémico do tempo frio não estará muito longe como, de resto, acontece com vários outros vírus corona, colocando novos (e diferentes) desafios à população mundial.  

Com uma queda, em escassas semanas, de cerca de cinco vezes do valo-pico, tudo leva a crer que a vida pré-pandemia não se encontra longe, ainda que a comunidade mundial, espera-se, tenha aprendido o suficiente para desenvolver formas organizativas que não se podem esgotar, apenas, num “observatório” da partícula viral.

Julga-se que até ao início da primavera a taxa de incidência se reduza, pelo menos, outro tanto do que já se reduziu (cerca de cinco vezes).  Tal aponta para valores da taxa de incidência próximos dos 240 por 100.000 e um número de mortos que se “aconchegue” no que se convencionou considerar aceitável (se é que alguma morte é aceitável …).

Não seria desejável começar a planear o que fazer no próximo outono/inverno?

Espera-se que essa preocupação se consubstancie num plano de contingência concreto que dê a melhor resposta à próxima época das infecções respiratórias altas!

27 janeiro 2022

+COVID-19: onda gigante espraiada? Será a melhoria pré-morte pandémica?

                                                                                Antonio Sousa-Uva

 

Todos (ou quase) os dias com recorde do número de casos excepto, como esperado, os dados de novos casos de sábado e de domingo. Com quase uma taxa de incidência, nos últimos 14 dias, de 6.000/100.000 (leia-se 6%, designação que a Epidemiologia não gosta) o número de casos é “esmagador”, ainda que com consequências menos gravosas do que o aconteceu na segunda vaga. O mapa de risco vai ter de ser de novo alterado e o vermelhão escuro já está mais que “ultrapassado”.

 

Nunca tivemos tantos novos casos nesta actual onda (gigante) pandémica, com mais de dois dígitos de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21). De repente quase um em cada quatro portugueses tiveram contacto com o SARS-CoV-2 naturalmente e, concretamente, não sabemos o número real de casos, nem saberemos serologicamente, dada a actual taxa de cobertura vacinal. Claro que os casos de COVID-infecção e os casos de COVID-doença estão mesclados, dados os critérios ainda prevalentes na actual estratégia de gestão do risco.

 

Julga-se que não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou mesmo um em cada dois) que, naturalmente, já foi infectado (ou adoeceu) com COVID-19.

 

A mortalidade galopa ainda que a níveis bem inferiores de há um ano e a “pressão” hospitalar está “flat” (a verdadeira “linha vermelha”, politicamente falando). Entretanto, cerca de 50% dos cidadãos elegíveis tem o rappel da vacina e, consequentemente, estão bem “equipados imunologicamente” para quaisquer intempéries pandémicas (no quadro genómico viral actual).

 

Hoje, 27 de janeiro de 2022, reacende-se alguma preocupação com o índice de transmissibilidade a crescer (após algumas semanas a minguar) o que, associado ao perfil pandémico em países que nos antecederam, indicia que a crista da onda está “atrasada” em relação à previsão de há algumas semanas atrás. E o presente acto eleitoral não será alheio a tal perfil.

 

Dito de outra forma, deveria ser um tempo de contenção, mas o ciclo eleitoral “imposto” vem exacerbar o ciclo pandémico, compreendendo-se mal os objectivos da política, e a sua conciliação com as mais adequadas estratégias de acção (policy), com o dever de não propagar uma doença. Mesmo num país com taxas de vacinação superiores a 90% acrescidas da imunização natural …

 

Não seria altura de adequar a resposta nacional ao SARS-CoV-2? Ou vamos continuar “a reboque” do que se vai passando abroad? Nada de novo, portanto!

 

Para o próximo inverno será, por certo, tudo diferente!


Nota: Publicado inicialmente em Healthnews.

 

04 dezembro 2021

+COVID-19: covidar ou convidar para o Natal?

Antonio Sousa-Uva

  

Já não faltará muito para atingirmos os quatro dígitos de internamentos e os três dígitos nos cuidados intensivos já foram. Vem-me à memória de novo o “covidar ou convidar” a que aludi no verão de 20201.

 

Entretanto a variante Ómicron já está espalhada pelo mundo e no nosso espaço Europeu já está na maioria dos países. Coloca-se até a hipótese de que já estaria a circular no velho Continente antes da sua caracterização na África do Sul o que não parece provável. Aparentemente a sua transmissibilidade é elevada mas a gravidade da doença não parece ser e brevemente saberemos mais sobre a eficácia das actuais vacinas, em consequência das dezenas de mutações que sofreu.

 

Os indicadores de frequência da COVID-19 escalam, de novo, e hoje, dia 4 de dezembro de 2021, atingem quase seis mil casos. Mas mais preocupante é o aumento de internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos e o número de óbitos que continua igualmente a escalar e, sabido que é o seu  “atraso” de algumas semanas em relação á incidência, deveria determinar, desde já, maiores precauções nas Festas que se aproximam.

 

Claro que a “semana-tampão” de janeiro indicia que tudo se poderá manter como está mas nada deveria anular que, sem alarmismos, se informasse a população que, para além do rappel da vacina e o reforço da testagem, investisse um pouco mais nas atitudes de prevenção que espero que sejam conhecidas de todos.

 

A nossa cultura dominante é no entanto mais centrada na “proibição” e na “coima” do que na educação e na literacia. É um bom exemplo disso a discussão da obrigatoriedade da vacina num país com, praticamente, 99% da população elegível vacinada. Quem discute isso ou sobre isso delibera não tem as nossas taxas de vacinação fará, por isso, sentido encetar essa discussão? Ou será que a cultura da proibição é indutora do seu contrário a “obrigação”?.

 

A ausência de comunicação adequada para a adopção de atitudes e comportamentos consentâneos com a situação pandémica actual, relacionar-se-á com aquilo?

 

É sobejamente conhecida a eficácia da vacina na prevenção da doença grave (e na letalidade) mas o mesmo não se pode dizer do que, na gíria, se chama “falência vacinal”. Depois do que hoje se sabe a “imunidade de grupo” parece que nunca será atingida, ainda que a partícula viral não circule da mesma maneira numa população vacinada em relação a uma não vacinada o que reforça ainda mais a necessidade da vacinação que, objectivamente e não por questões de opinião, é recomendável.

 

Não será isso suficiente para fazer um mais forte investimento nas tais “atitudes e comportamentos de grupo” com o mesmo empenho da "imunidade de grupo"?  

 

 

Referência

 

1 Sousa-Uva A. A COVID-19: convidar ou covidar? Disponível em: https://healthnews.pt/2020/07/23/a-covid-19-convidar-ou-covidar/

17 novembro 2021

+COVID-19: há várias semanas com o R(t) a subir!

Antonio Sousa-Uva

 

Cá vamos de novo a caminho de mais um pico, uma vez que o índice de transmissibilidade já sobe há várias semanas1. Mas, apesar disso, melhorou, talvez devido ao Natal, o nível de alerta que vai ocorrer antes de chegar ao “nível de alerta” da taxa de incidência (240 por 100.000)2. Estamos a melhorar portanto na reacção às ondas pandémicas (basta recordar o sucedido na época peri e pós Natal de 2020 …) ainda que em pouco tempo tenhamos triplicado esse índice.

 

Os canais noticiosos de Rádio e Televisão voltam a dedicar enorme tempo de antena à situação pandémica e regressam algumas caras aos écrans numa palete muito diversificada, muitas vezes de opiniões travestidas de conteúdo científico alimentada, julga-se, pela facilidade de acesso à informação nacional e mundial sobre a pandemia e pela vontade de participar. Dois aspectos bem positivos.

 

Num país em que, em quase 10 milhões, pouco mais de um “campo de futebol” da população elegível não se vacinou (e/ou não terminou a vacinação) regressa também quem ponha em causa a criação de conhecimento sobre a eficácia da imunoterapia específica na incidência da doença grave e da morte. Há falta de melhor, a argumentação recai nas consequências indirectas das medidas de gestão do risco anteriormente adoptadas.

 

Numa palavra, a perspectiva da “culpa” sobreleva-se e não se personificando a partícula viral alguém tem que “vergar com a responsabilidade”. Uma espécie de “Hay Gobierno? Soy contra!".

 

Regressam os “porta-bandeiras” pró e contra, entre outros, o teletrabalho, os confinamentos, as limitações das lotações e argumenta-se e contra-argumenta-se muito sobre o uso de salvos-condutos (como os certificados) reemergindo a perspectiva jurídica que, aparentemente, transborda agora os aspectos da (in)constitucionalidade de medidas potenciais a adoptar. Não se estranharia que para festas de fim do ano se exija um “passaporte” para aceder …

 

Quem tem fé não se coíbe de opinar, o que em matéria de Saúde Pública é positivo, não fosse alguns dos emissores de opinião desempenharem papéis que contraindicam a emissão dessas mesmas opiniões por, potencialmente, não serem anódinas a quem decide.

 

Entretanto, não seria melhor focarmo-nos mais no distanciamento físico e no uso de máscara, quando tal não é possível ou em espaços fechados?

 

Referências bibliográficas

1 Portugal. SNS- Serviço Nacional de Saúde. Em linha. Disponível em https://www.sns.gov.pt/noticias/. Consultado em 17 de novembro de 2021.

2    Our World in data. Em linha. Disponível em https://ourworldindata.org/explorers/coronavirus-data-explorer?zoomToSelection=true&time=2020-12-15..2021-11-15&facet=none&pickerSort=asc&pickerMetric=location&Metric=Reproduction+rate&Interval=Biweekly+change&Relative+to+Population=true&Align+outbreaks=false&country=USA~GBR~CAN~DEU~ITA~IND~PRT~Europe~ESP~FRA.  Consultado em 17 de novembro de 2021.

15 novembro 2021

+COVID-19: SARS-CoV-2 no sapatinho?

 

                                                                                          Antonio Sousa-Uva

 

A cinco semanas do natal (e seis do Ano Novo), com o perfil epidémico actual e a “rapidez” de resposta ao aumento desmedido da circulação do vírus, é certo que o Natal está comprometido mais uma vez. Resta saber em que medida!

 

A Europa é varrida por uma quarta vaga de COVID-19 (quinta se se considerar a onda encavalitada de há um ano como duas) mesmo com taxas de vacinação muito elevadas (na Europa, quase dois terços com pelo menos uma dose de vacina e por cá quase nove em dez cidadãos …).

 

Aparentemente, isso é encarado como o “destino” e renasce um novo D. Sebastião (mesmo contra sua vontade) para quem aposta tudo na dose de reforço e na vacina contra a gripe. O que será necessário para se vislumbrar mais veemência em mensagens com indicações para “dificultar a vida à partícula viral”?

 

Algum conhecimento já disponível indica maior atingimento e transmissibilidade em vacinados do que se esperava e isso explicará, pelo menos parcialmente, o referido aumento. O outono, com o tempo frio e a preferência do “indoor” será outra explicação adicional. Também a vida mais próxima do período pré-pandémico ajudará e não parece (ou transparece) que as Autoridades adequem a resposta à situação concreta ou, pelo menos, ao tempo da sua definição e aplicação.

 

Tudo leva a crer que o dramatismo da sobrecarga das unidades hospitalares com casos em urgência, internamentos e cuidados intensivos constitui o verdadeiro ”interruptor” de resposta à epidemia e, dada a diminuição da gravidade dos casos determinada pela vacinação, essa pressão não parece ser suficiente para adequar a resposta em políticas de Saúde Pública. Mas o Natal e o Ano Novo não serão suficientes para reagir mais energicamente?

 

Alguma instabilidade política em período pré-eleitoral também ajudará, mas não seria desejável mais (re)acção?

 

Estaremos cientes que não é possível medidas que o estado de emergência permitiria?

 

Não será suficiente o conhecimento do que se está a passar há semanas na Europa Central e Oriental?

 

A adesão à dose de reforço dos grupos populacionais mais expostos e/ou com maior gravidade da doença não vai chegar. É preciso voltar a reforçar a necessidade de distanciamento físico e o uso de barreiras individuais e/ou colectivas ou queremos outro apagão“ da nossa economia?

 

Está na nossa mão (re)agir de forma mais empenhada porque, por certo, não se pretende que se repitam fenómenos semelhantes aos já ocorridos! Ou estou errado?

08 novembro 2021

+COVID-19: As “sete vidas” da pandemia, já irão em cinco?

 

 António Sousa-Uva

 

Na semana de 1 a 7 de novembro de 2021 o número de casos de COVID-19 poderá chegar aos 1300! Ouvi isto no início da semana passada com base em modelos de estimativa. O que se passou? Para já: dia1: 491 casos; dia 2: 450, dia 3: 1074; dia 4: 1382; dia 5: 1298 e dia 6: 1197. É uma grande subida, que de resto se expressa, naturalmente, na taxa de incidência que se espraia nos três dígitos, “roendo os calcanhares” ao limiar de controlo pandémico! 


Será que só actuaremos quando os casos escalarem ainda mais? Ou vamos esperar pelos 240/100000, por taxas de transmissibilidade “anafadas” e maiores índices de positividade dos testes?


Já estamos, no mundo, bem próximos de um quarto de bilião de casos "oficiais" (de acordo com a definição de bilião nos EUA) e os cinco milhões de óbitos por (ou com) COVID-19, já foram! E, aparentemente, o perfil pandémico não se torna, como parecia antes previsível, em perfil endémico e as vagas não são “canhão” como as da Nazaré mas, apesar disso, o “mar não está chão”.


Entretanto a vacinação (não completa) da população mundial vai circunvizinha de metade mas, pasme-se, em África estão vacinados cerca de 6% (ou menos) dos seus habitantes, com alguns países africanos muito próximos de taxas de vacinação contíguas a 1%, enquanto os países mais abonados investem na vacinação dos mais jovens e na dose de reforço aos mais velhos!


Entretanto ainda, a nossa sociedade, praticamente, voltou à actividade do período pré-pandémico e a Economia tem o revés das quebras de produção de amplos períodos de confinamento, esgotadas que estão as existências armazenadas.


Aparentemente, a boa notícia é que não apareceu uma variante que “finte” a imunidade induzida pela vacinação que se espera que não desponte nos países (e comunidades) em que o vírus quase que circula livremente.


Contrariamente à ideia dominante, o período ainda não é pós-pandémico e o grau de incerteza ainda é muito vasto no país que ombreia com os Emirados Árabes 


Unidos o protagonismo da maior taxa de cobertura vacinal consoante a perspectiva da vacinação completa ou iniciada.


As consequências pós-pandémicas da privação da prestação de cuidados de saúde a patologias não COVID vai igualmente emergindo gradualmente com potenciais (e óbvias) consequências na morbimortalidade geral não COVID-19.


Ainda que o “cansaço pandémico” seja colossal não parece, no contexto sumariamente descrito, muito sensato hipovalorizar a actual situação que parece tudo menos uma situação susceptível de ser encarada com tranquilidade. De igual modo, tal não justifica um elevado grau de preocupação mas, por certo, determina acções mais precoces do que as, por vezes, adoptadas num passado recente.


Talvez a medida mais sensata seja continuarmos todos a manter-nos “agentes de Saúde Pública” preservando a excelente adesão à vacinação característica do nosso povo (há mesmo muitas dezenas de anos e então não sendo notícia) e o não esmorecimento das medidas de prevenção que, espero, sejam conhecidas de todos, com destaque para o distanciamento físico e a protecção respiratória nas situações que a aconselham.


Tal, claro, esperando que as estratégias de acção sejam adequadas (e atempadas) e bem integradas nas Políticas de Saúde Pública que dirijam uma boa resposta às situações perspectivadas pelo sistema de vigilância e gestão de informação sobre a pandemia.


O que parece certo é que a pandemia não é ainda passado e tal determina que todos adoptemos medidas que dificultem a propagação da partícula viral e não fiquemos satisfeitos com a pouca pressão sobre as unidades hospitalares traduzida no número de internamentos e doentes em UCI!


Nota: Publicado inicialmente em Healthnews.

 

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