04 dezembro 2021

+COVID-19: covidar ou convidar para o Natal?

Antonio Sousa-Uva

  

Já não faltará muito para atingirmos os quatro dígitos de internamentos e os três dígitos nos cuidados intensivos já foram. Vem-me à memória de novo o “covidar ou convidar” a que aludi no verão de 20201.

 

Entretanto a variante Ómicron já está espalhada pelo mundo e no nosso espaço Europeu já está na maioria dos países. Coloca-se até a hipótese de que já estaria a circular no velho Continente antes da sua caracterização na África do Sul o que não parece provável. Aparentemente a sua transmissibilidade é elevada mas a gravidade da doença não parece ser e brevemente saberemos mais sobre a eficácia das actuais vacinas, em consequência das dezenas de mutações que sofreu.

 

Os indicadores de frequência da COVID-19 escalam, de novo, e hoje, dia 4 de dezembro de 2021, atingem quase seis mil casos. Mas mais preocupante é o aumento de internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos e o número de óbitos que continua igualmente a escalar e, sabido que é o seu  “atraso” de algumas semanas em relação á incidência, deveria determinar, desde já, maiores precauções nas Festas que se aproximam.

 

Claro que a “semana-tampão” de janeiro indicia que tudo se poderá manter como está mas nada deveria anular que, sem alarmismos, se informasse a população que, para além do rappel da vacina e o reforço da testagem, investisse um pouco mais nas atitudes de prevenção que espero que sejam conhecidas de todos.

 

A nossa cultura dominante é no entanto mais centrada na “proibição” e na “coima” do que na educação e na literacia. É um bom exemplo disso a discussão da obrigatoriedade da vacina num país com, praticamente, 99% da população elegível vacinada. Quem discute isso ou sobre isso delibera não tem as nossas taxas de vacinação fará, por isso, sentido encetar essa discussão? Ou será que a cultura da proibição é indutora do seu contrário a “obrigação”?.

 

A ausência de comunicação adequada para a adopção de atitudes e comportamentos consentâneos com a situação pandémica actual, relacionar-se-á com aquilo?

 

É sobejamente conhecida a eficácia da vacina na prevenção da doença grave (e na letalidade) mas o mesmo não se pode dizer do que, na gíria, se chama “falência vacinal”. Depois do que hoje se sabe a “imunidade de grupo” parece que nunca será atingida, ainda que a partícula viral não circule da mesma maneira numa população vacinada em relação a uma não vacinada o que reforça ainda mais a necessidade da vacinação que, objectivamente e não por questões de opinião, é recomendável.

 

Não será isso suficiente para fazer um mais forte investimento nas tais “atitudes e comportamentos de grupo” com o mesmo empenho da "imunidade de grupo"?  

 

 

Referência

 

1 Sousa-Uva A. A COVID-19: convidar ou covidar? Disponível em: https://healthnews.pt/2020/07/23/a-covid-19-convidar-ou-covidar/

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