Antonio Sousa-Uva
A cinco semanas do natal (e seis do Ano Novo), com o perfil epidémico
actual e a “rapidez” de resposta ao aumento desmedido da circulação do vírus, é
certo que o Natal está comprometido mais uma vez. Resta saber em que medida!
A Europa é varrida por uma quarta vaga de COVID-19 (quinta se se
considerar a onda encavalitada de há um ano como duas) mesmo com taxas de
vacinação muito elevadas (na Europa, quase dois terços com pelo menos uma dose
de vacina e por cá quase nove em dez cidadãos …).
Aparentemente, isso é encarado como o “destino” e renasce um novo D.
Sebastião (mesmo contra sua vontade) para quem aposta tudo na dose de reforço e
na vacina contra a gripe. O que será necessário para se vislumbrar mais
veemência em mensagens com indicações para “dificultar a vida à partícula
viral”?
Algum conhecimento já disponível indica maior atingimento e
transmissibilidade em vacinados do que se esperava e isso explicará, pelo menos
parcialmente, o referido aumento. O outono, com o tempo frio e a preferência do
“indoor” será outra explicação adicional. Também a vida mais próxima do
período pré-pandémico ajudará e não parece (ou transparece) que as Autoridades
adequem a resposta à situação concreta ou, pelo menos, ao tempo da sua definição
e aplicação.
Tudo leva a crer que o dramatismo da sobrecarga das unidades
hospitalares com casos em urgência, internamentos e cuidados intensivos
constitui o verdadeiro ”interruptor” de resposta à epidemia e, dada a
diminuição da gravidade dos casos determinada pela vacinação, essa pressão não
parece ser suficiente para adequar a resposta em políticas de Saúde Pública. Mas
o Natal e o Ano Novo não serão suficientes para reagir mais energicamente?
Alguma instabilidade política em período pré-eleitoral também ajudará,
mas não seria desejável mais (re)acção?
Estaremos cientes que não é possível medidas que o estado de emergência
permitiria?
Não será suficiente o conhecimento do que se está a passar há semanas na
Europa Central e Oriental?
A adesão à dose de reforço dos grupos populacionais mais expostos e/ou
com maior gravidade da doença não vai chegar. É preciso voltar a reforçar a
necessidade de distanciamento físico e o uso de barreiras individuais e/ou
colectivas ou queremos outro apagão“ da nossa economia?
Está na nossa mão (re)agir de forma mais empenhada porque, por certo,
não se pretende que se repitam fenómenos semelhantes aos já ocorridos! Ou estou
errado?
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