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31 janeiro 2022

+COVID-19: dentro de cerca de uma semana atingiremos 400 milhões de casos registados!

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 Antonio Sousa-Uva


Já não faltará muito para atingirmos os quatrocentos milhões de casos de COVID-19, registados como tal. Extrapolando para a população mundial o que por cá se passa, poderão ser cinco vezes mais os casos reais.

 

A que número real corresponderá conhecendo a “invisibilidade” de muitos casos, para não falar dos, por certo, inúmeros casos de COVID-infecção que não terão registo?

 

De novo, ainda, uma “gripezinha”? com quase seis milhões de casos fatais?

 

Aparentemente, a evolução da partícula viral indicia que o perfil endémico não estará longe como, de resto, acontece com vários outros vírus corona. A resposta mundial à pandemia mobilizou, e continua a mobilizar, todos, ainda que com o recurso a estratégias de acção muito diversas e uma iniquidade “gritante” entre países. Bastará referir as taxas de vacinação já atingidas nos diversos continentes para ilustrar essa realidade.

 

No futuro, outras pandemias por certo eclodirão e tudo leva a acreditar que as alterações climáticas promoverão transformações que poderão constituir um verdadeiro “gatilho” para a sua expressão mais amiudada.

 

Terá o mundo aprendido o suficiente para aprofundar sistemas de vigilância e de acção mais robustos para melhor reacção a situações futuras?

 

Terá a maioria dos países recursos adequados, de diversa índole, para a melhor resposta a essas novas situações?

 

Será o investimento actual em investigação na área da Saúde Pública suficiente para dar a melhor resposta a novas pandemias?

 

Os sistemas de saúde continuarão, provavelmente, a colocar “todos os ovos no mesmo cesto”, preterindo grosseiramente a Saúde Pública, não no sentido popular do seu significado mas na sua essência, leia-se no seu foco nas populações e em acções organizadas de prevenção de doenças e de Promoção da Saúde. É que a prestação individual de cuidados tem sido, no essencial, a única actividade valorizável no contexto das políticas públicas de saúde quando se perspectiva, por exemplo, os recursos disponíveis dedicados às diferentes actividades. A Saúde Pública há muito que é pouco valorizada pelo poder político.

 

Oxalá saibamos tirar lições para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas que se situam para além da clínica individual e se robusteçam formas organizadas da sociedade poder responder a outras ameaças que por certo virão. Ou queremos novas situações como a que ainda estamos a viver?


Nota: Publicado também no Blog Safemed.

21 janeiro 2022

+COVID-19: na crista da onda!

Antonio Sousa-Uva

 

Nunca tivemos tantos novos casos nesta actual onda (gigante) pandémica, praticamente com mais de dois dígitos de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21). De repente, formalmente, atingimos cerca de um em cada quatro ou cinco portugueses. Concretamente, não sabemos o número exacto de casos, nem serologicamente saberemos, dada a taxa de cobertura vacinal.

 

Julga-se que não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou mesmo um em cada dois). 


A crista será modificada pela campanha eleitoral e as eleições?


Só sabemos que o não sabemos e não parece haver muita preocupação porque não há filas de ambulâncias nos hospitais e as camas de Cuidados Intensivos ainda não estão todas ocupadas (dada a pouca importância que damos à cativação de camas dos doentes não COVID  que gradualmente vão sendo afectas à "necessidade"…).

 

Hoje, 21 de janeiro de 2022, estamos com uma taxa de incidência praticamente próximo dos 5.000 casos por 100.000 o que representa “n” vezes mais do que determinou o fecho de (quase) tudo há um ano. A única boa notícia é que o índice de transmissibilidade está a minguar vai para três semanas o que, associado ao perfil pandémico em países que nos antecederam nesta onda, indicia que a sua crista está “logo ao virar da esquina".

 

De facto, agora já não é aparente que a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal se bem que, em boa verdade, nada se saiba em concreto da forma e tempo como esse percurso vai suceder.

 

Dito de outra forma, deveria ser um tempo de contenção e expectativa que o ciclo eleitoral “imposto” vem ainda exacerbar perante a “fatalidade” do dever de voto se sobrepor, sem qualquer hesitação, ao dever de não propagar uma doença. Sempre, desde o início da pandemia, a amálgama entre a politic e a policie com o desfecho habitual esperado nos Estados de Direito democráticos.

 

Entretanto, o distanciamento físico (também apelidado social) é cada vez mais perspectivado como algo “careta”. Então para que é que nos vacinamos? Será uma espécie de iliteracia da literacia adquirida?

12 janeiro 2022

+COVID-19: uma incidência esmagadora!

                                                                                               Antonio Sousa-Uva

 

Na actual onda (gigante) pandémica, praticamente com o dobro de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21), já adoeceram com COVID-19, até agora, quase um em cada cinco portugueses. A que número real corresponderá o número “oficial de casos”?

 

Julga-se que, pelo menos, não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou residentes) e com uma mortalidade que atinge mais de quatro em cada cinco cidadãos com mais de 80 anos. Compreende-se, por isso, a descida da idade da reforma para 2023 com tal impacto (negativo) na esperança de vida.

 

Hoje, 10 de janeiro de 2022, estamos com uma taxa de incidência superior a 3.200 casos por 100.000 o que, para se entender um pouco essa magnitude, bastará recordar que a incidência é considerada elevada acima de 480 casos (cerca de sete vezes mais)…

 

Apesar disso o índice de transmissibilidade parece estar a ceder (está agora em 1,24) o que pode indiciar que estamos na “crista desta onda” ou a iniciar o planalto de descida.

 

Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal e os media inundam-nos com parcos especialistas e uma pletora de (pseudo)especialistas, mais ou menos doutos em diversas áreas desconexas da Saúde Pública e da Epidemiologia. Peroram, quais músicos que tocam de ouvido, sem qualquer conhecimento das claves, sobre diversos aspectos técnico-científicos dessas áreas científicas. A última “melodia” é que estamos em endemia o que, se esses despautérios fossem taxados com IVA, teríamos, por certo, uma franca descida da dívida pública com a magnitude da receita fiscal “encaixada”.

 

No entanto, em boa verdade, nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão como já antes foi por nós referido em outros destes textos.

 

Convém repetir, até à exaustão, que as estratégias de acção de controlo pandémico não devem esmorecer o esforço da vacinação, já que se trata de um verdadeiro equipamento de protecção individual (EPI), ainda que biológico, bem mais eficaz do que as máscaras ou os respiradores que, todavia, devem ser mantidos complementarmente a tal imunoterapia.

 

É que a imunoterapia específica é bem mais eficaz para a doença grave do que para a doença ou a infecção em termos genéricos e, por isso, não a previne tão eficientemente e, consequentemente, a partícula viral continua, ainda que com menor intensidade, com circulação comunitária. Essa característica, associada à transmissibilidade pré-sintomática, determina em muito a actual expressão pandémica.

 

O distanciamento físico (também apelidado social) também deve ser mantido complementarmente aos EPI (físico e “biológico”) referidos, sendo importante realçar que os vírus não parecem ligar muito a qualquer obrigação social e, tudo leva a crer, que estão mais interessados em arranjar hospedeiros para se replicar. Até quando se hospedam em eleitores!


Nota: Publicado inicialmente na plataforma Healthnews.

 10 de janeiro de 2022

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