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20 agosto 2023

+COVID-19: nova variante, novos desafios?


Antonio Sousa-Uva

 

Algum tempo depois, eis uma nova subvariante da Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, a Éris, que já é dominante entre nós. 


Ainda que a Éris não pareça ter uma gravidade acrescida e a sua eclosão não tenha uma configuração "endémica", a vacinação no início do outono ainda fica mais justificada, principalmente para os grupos de risco já conhecidos, com particular ênfase para a idade elevada que abrangerá mais de um cidadão em cada quatro ou cinco. As mutações ocorridas parecem facilitar a sua contagiosidade.


O fim da pandemia, decidido pela OMS em maio passado, não deve esmorecer a atenção que devemos dar ao coronavírus como, de resto, já damos, por exemplo ao influenza e ao sincicial respiratório. Ser agente de Saúde Pública poderá ser agora vacinarmo-nos para nos proteger e para também proteger os outros. Pelo menos é isso que farei! 


21 outubro 2022

A Saúde num relance: a propósito do excesso de mortalidade

 



Antonio Sousa-Uva


Portugal foi, em 1948, um dos países fundadores da Organização Europeia de Cooperação Económica. Mais tarde, em 1960, com os Estados Unidos da América e o Canadá, os dezoito Estados fundadores originaram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) que a substituiu.


A OCDE publica, regularmente, o Health at a Glance com um conjunto interessante de indicadores de saúde que constitui há muito, para quem se dedica a esta área, um documento de consulta obrigatória. Para quem não se recorda, na primavera e outono de 2020, muito se falou do excesso de mortalidade a propósito da COVID-19, voltando agora, de novo, esse tema “a inflamar”. Tal, anteriormente, era abordado basicamente a propósito das ondas de calor (por exemplo, o índice Ícaro ou GATO, seu acrónimo em inglês).


É muito interessante verificar, mais uma vez e agora de forma mais consolidada, a discrepância entre a perspectiva política e a dos estudiosos e investigadores em relação a muitas matérias e, designadamente àquele excesso de mortalidade cuja explicação está, por certo, muito para além de abordagens baseadas em perspectivas demasiado simplistas. Apesar da muita “verborreia” sobre essa matéria, não parece restar dúvida que a COVID-19, directa ou indirectamente, poderá ter contribuído, de alguma forma, para um aumento de cerca de 16% do número esperado de mortes em 2020 e primeiro semestre de 2021.

Mais ainda, em 24 de 30 países a esperança de vida diminuiu (entre nós com repercussão na idade da reforma para 2023), destacando-se os EUA (menos 1,6 anos) e a Espanha (menos 1,5 anos), já que mais de 90% dos óbitos ocorreram em maiores de 60 anos e, claro e como sempre, em populações mais vulneráveis pelas mais variadas razões.

Menos falado tem sido o impacto na Saúde Mental e a “COVID crónica” (ou Long – quão longo? – COVID), esta última podendo atingir mais de um terço desses doentes. E menos ainda se tem falado das relações trabalho/saúde(doença) relacionadas, por exemplo, com respostas à pandemia, como o trabalho à distância.

No nosso caso, logo na primavera de 2020, também investigamos os aspectos relacionados com as repercussões na Saúde Mental dos médicos e de outros profissionais de saúde e também alguns aspectos relacionados com o teletrabalho. Estas matérias serão ainda, por certo, alvo de inúmeros outros estudos mais robustos e carecem, portanto, da criação de mais (e melhor) informação.

O que parece certo é que a actual pandemia teve, para além das consequências directas na saúde dos cidadãos, diversas outras repercussões indirectas, muitas delas ainda por esclarecer. Indirectamente parece óbvio o impacto na prestação de cuidados de saúde, por exemplo, das consequências do adiamento da precocidade dos diagnósticos (não só de cancro, que é disso um marcante exemplo). Mas a grande questão que “fermenta” é se esses atrasos se poderão relacionar com o actual aumento de mortalidade? Saberemos o suficiente sobre essas interdependências? O que estamos a fazer para criar e divulgar mais conhecimento nessa matéria?

 Por outro lado, simultaneamente, terá por certo ocorrido uma redução da mortalidade por acidentes rodoviários e de trabalho e por outras doenças infecciosas transmitidas por via aérea.  Certo é que, em 2020, nos países da OCDE e com os dados disponíveis, ocorreu um excesso de 1,8 milhões de mortes, em comparação com a média dos cinco anos anteriores (ainda em média, cerca de mais 11% de óbitos) e que tal achado deve determinar a criação de mais conhecimento nesse âmbito.

O impacto de uma pequena partícula viral ainda é incompletamente conhecido e irá muito para além das mais de seis centenas de milhões de casos “oficiais” de doença e dos mais de 6,5 milhões de óbitos. O Health at a Glance 2021 já indicia bem o início desse importante impacto na nossa saúde.

Os dados preliminares de 2021 apontam para o excesso de mortalidade, mais nos grupos etários mais velhos (65 ou mais anos) que, em alguns países e com se referiu, é superior a 15%, como por exemplo na nossa vizinha Espanha. Por cá, veremos o que sucederá, o que, por certo, também dependerá das respostas a ser dadas pelo nosso sistema de saúde (que, esclareça-se pela “enésima” vez, não é sinónimo de serviço nacional de saúde).


Nota: Publicado inicialmente na plataforma Healthnews.

17 agosto 2022

+COVID-19: a atingir os 600 milhões de casos registados!

  


                                                                                          Antonio Sousa-Uva


Já não faltará muito para atingirmos os seiscentos milhões de casos de COVID-19, registados como tal, o que não é por certo o número real de casos. Extrapolando para a população mundial o que por cá se passa, poderão ser seis vezes mais os casos reais. E 6,5 milhões de mortos por (ou com) COVID-19 (mais do que a nossa população activa civil empregada)!


Escrevia, a propósito dos 400 milhões de casos, que, aparentemente, a evolução da partícula viral indicia que o perfil endémico não estará longe. Julgo estarmos agora mais perto dessa situação já com uma economia próxima do que se passava no período pré-pandémico e uma gravidade da doença bem diferente do período pré-vacinação.


Outra realidade é que a resposta mundial à pandemia tem recorrido a estratégias de acção muito diversas (bastará a esse propósito referir a estratégia chinesa ou a neozelandesa) e uma iniquidade “gritante” entre países. Seria muito interessante "dissecar" no futuro os seus resultados e aprender com essas diferentes experiências. Mas terá o mundo aprendido o suficiente para aprofundar sistemas de vigilância (e de acção) mais robustos para melhor reacção a situações futuras?


Oxalá saibamos tirar ilações para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas mais adequadas para não voltar a viver novas situações como a que ainda estamos a viver. Para isso, independentemente das opções que se façam, o investimento em Saúde Pública e na Prevenção tem que ser muito robustecido ou em breve poderemos estar em situações muito semelhantes à que ainda estamos a viver. E robustecido significa que tem que ter mais recursos e competências que não se obtêm sem definir essa estratégia de acção!

22 abril 2022

+COVID-19: de novo o R(t) acima de 1 e em alta, mas ninguém se importa muito! e depois?

 


Antonio Sousa-Uva


Há cerca de 3 ou 4 semanas, por cá, ancorados em 9.000 a 10.000 casos diários mas, agora, com um índice de transmissibilidade já acima de 1. No entanto, ninguém se importa muito já que a pressão nos hospitais (e em outras unidades de saúde é "light") e, de facto, o verdadeiro motor da luta contra a pandemia, bem como os dados de mortalidade que permanecem "desinflamados" em cidadãos mais vulneráveis. Também a nível mundial a incidência parece estar, consistentemente, a "desinflamar", com cerca de metade da população (mais ou menos) vacinada, ainda que o continente Africano apresente baixas taxas de vacinação. 


As máscaras desaparecem no final desta semana, num quadro de mais de 90% da população vacinada e de uma prevalência da doença superior a 1/3 da população a que poderá corresponder cerca de metade da população que já contactou naturalmente com o vírus. Tais dados determinam por certo alguma dificuldade na circulação comunitária do SARS-CoV-2, como de resto se vem objectivando num número já significativo de países.


No mundo já passa dos 500 milhões de casos e mais de 6 milhões de mortes por (ou com) COVID-19. Mas, em termos concretos, quantos serão? Dir-se-ia que no mínimo cinco vezes o número de casos (cerca de 1/3 da população mundial) e três vezes o número de mortos (18 milhões de mortes).


Se uma nova variante não vier a modificar o actual desenrolar da pandemia, tudo leva a  que, brevemente, o vírus se tornará endémico. Cessa por isso, julgo, o apelo de cidadania que determinou as muitas dezenas de "migalhas" destes textos que foram entendidas como um diminuto contributo para melhor lidar com a situação de Saúde Pública e, quiçá, esta será uma das derradeiras reflexões publicadas neste blog. 


O que fica por realizar é um maior investimento do país em formas mais organizadas de lidar com problemas de saúde da nossa população que se situem para além da saúde individual de cada cidadão. Se todos entendemos que a saúde de cada um dos cidadãos é muito importante, seria desejável que o país aprendesse a investir mais na área da Saúde Pública, reiteradamente negligenciada e hipovalorizada nas políticas públicas de Saúde. Não terá sido a pandemia suficientemente impactante para determinar um maior investimento nessa área?


Em tempo ...


5 de maio de 2022

Em 5 de maio de 2022 (2 semanas depois) o R(t) mantém-se acima de 1 (e em crescendo)... e a média do número de casos diários subiu para 11.000. 


18 de maio de 2022

Os "buracos do queijo suíço" voltaram a alinhar-se e, hoje, em 18 de maio a subida é cada vez maior ... (ontem cerca de 24.000). Terá mais a ver com a "variante" da variante (Omicron Ba.5) ou com a cessação das medidas de prevenção? com ambas?

Certo, certo é que a incidência nos idosos bate máximos anteriores e espera-se que a imunoterapia específica continue eficaz na prevenção da doença grave. Ou será mais uma vaga (a sexta)?

Entretanto o número diário de urgências nas unidades hospitalares sobe!

Aquele papel de sermos todos "agentes de Saúde Pública", independentemente do enquadramento legal, volta a ser indispensável para não termos "derrapagens".


25 de maio de 2022

O vírus que circula predominantemente já é a variante Omicron Ba.5 e numa semana, ocorreram mais 50% de novos casos diários (agora 36.000) ... e a mortalidade sobe mais em maiores de 80 anos ...

Já estamos no pódio em relação à taxa de incidência!

Vamos ligar às disposições de obrigatoriedade ou à nossa inteligência? Estou em crer que, por mais (e maiores) vagas pandémicas, oscilaremos quase sempre entre o 8 e o 80 ... Deve-se recordar que o que caracteriza a Saúde Pública são formas ORGANIZADAS de lidar com problemas de saúde de uma determinada população o que parece sistematicamente "atrasado" em relação ao que seria desejável. 

Será porque quer a direcção seja "top/down", quer seja "bottom/up" parece que se "colocam as fichas todas" na saúde individual? Se não é, assim parece! e a Saúde Pública vai parecendo filha de um Deus menor! 

Claro que algumas medidas, como a utilização da máscara, pode ter repercussões na "musculação" do nosso sistema imunológico em relação a outros vírus (e outros agentes microbiológicos). Tal não invalida que, mesmo não sendo obrigatória a sua utilização, se adoptem comportamentos em cada situação, exigindo uma avaliação individual do risco dessa situação concreta.

É que, mesmo com mais de 90% de vacinados e, pelo menos, cerca de 50% que contactaram naturalmente com o vírus e adoeceram, as variantes vão "contornando" a nossa "memória imunológica".  Em síntese, o vírus faz o seu trabalho e nós temos que fazer o nosso ...


02 de junho

R(t) e número de novos casos a descer. Começou o "desce" do "sobe e desce", assim parece ... Veremos o que os Santos Populares nos reservam ...


21 de junho

Consistentemente em descida mesmo 8 dias após o Santo António...


30 de junho de 2022        

Santos passados e descida mantém-se, ainda que com muito pouca testagem a realidade possa ser bem diferente da informação publicada. Não sinto ninguém muito preocupado ...


19 de julho de 2022

Ba.5 com fartura ... Agora parece que a descida é consistente e, finalmente, não estaremos muito longe do 20 óbitos por milhão a 14 dias. Em setembro virão as vacinas omicron adapted e veremos o que se passará no inverno 22/23 ... 


28 de julho de 2022

Boas notícias ... a vacina "original" parece continuar a proteger da doença grave com estas novas linhagens da omicron (menos da reinfecção, ao que parece).


14 de agosto de 2022

R(t) abaixo de 1 há muitas semanas e descida consistente de novos casos (ainda que, certamente, muitos para o pino do verão). Agora estamos nos 2 a 3 mil casos diários. Já falta pouco para o inverno 22/23 ... Entretanto nova vacina aprovada no Reino Unido que se espera com mais eficácia tanto para a doença grave como para menos grave ... Veremos o que se vai passar.


02 de setembro de 2022

R(t) acima de 1. Começa cedo ... Discreto aumento de casos diários: epifenómeno ou início de nova "lomba"? Faz-me recordar as festas de Monte Gordo, também no início de setembro onde no carrossel se ouvia, repetidamente, durante a noite: "nova volta, nova corrida". Oxalá esteja enganado ...


11 março 2022

+COVID-19: o gap entre o necessário e o possível mantém-se!


 Antonio Sousa-Uva


Com o atraso que já nos é familiar em relação à necessidade, altera-se agora a periodicidade da publicação dos dados da incidência de casos de (ou com) COVID-19. Óptimo!

A questão é que os casos diários estabilizaram à volta dos 10.000 e há cerca de uma semana escalam (13.000-15.000) como se vislumbrava pela evolução do R(t) nos anteriores tempos mais próximos.

Passar directamente de uma periodicidade diária para semanal será a melhor opção?

Ao fim de dois anos não teria vantagens, pelo menos, passar intermediamente para tri (ou bi)semanal? 

Não poderá, no actual contexto, ser interpretado de forma errónea?

Nestas pequenas reflexões, a referência a tal realidade tem tido o epíteto de “é o que há!”, ainda que sempre com a esperança que ajudem o combate à pandemia e, nunca, que sejam interpretadas como críticas negativas às nossas Autoridades.

Briefing/debriefing e outros que tais, podem integrar aspectos da comunicação de risco que é determinante em qualquer estratégia de gestão de risco. Os aspectos de comunicação numa situação com a transmissibilidade do SARS-CoV-2 exige, como as Autoridades sempre se referiram, e bem, a “sermos todos agentes de Saúde Pública”.

Aspectos como a alteração da periodicidade da disponibilidade de dados indispensáveis à cultura (ou, pelo menos, ao clima) de segurança podem ter muito mais importância do que a que parece que lhe é atribuída.  

Mas, enfim, pode ser que seja a habitual tendência que temos de saltitar entre o 8 e o 80 que nos caracteriza … ou, ainda, considerar como sinónimos o “senso comum” e o “bom senso”.

De novo, ainda, é o que há!



02 março 2022

+COVID-19: dois anos de pandemia, desde os primeiros casos!


Antonio Sousa-Uva


Faz hoje, 2 de março de 2022, dois anos de pandemia desde os primeiros casos ocorridos em Portugal. A “gripezinha”, assim designada por gente com grandes responsabilidades, virou mais que “gripezona” e, agora após a evolução da partícula viral, nove dígitos (gordos) de casos e de cerca de 2/3 da população mundial com pelo menos uma dose da vacina, tudo leva a crer, que o prefixo pan vá ficando cada vez mais puído.

Entretanto, muito sofrimento humano ocorreu, assim como milhões de mortes. E muito ainda é necessário conhecer sobre as consequências da pandemia de que a síndrome pós COVID é apenas um exemplo.

Muitas lições, espera-se, serão tiradas para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas que se devem situar muito para além da clínica individual. Aparentemente, essa clínica era praticamente a única preocupação e, por isso, é necessário robustecer formas organizadas de resposta da sociedade a outras novas ameaças que por certo virão.
 
Talvez não seja má ideia o reforço das estruturas da vigilância epidemiológica, da gestão de informação e da “musculação” de respostas organizadas (afinal, a Saúde Pública) a novas potenciais ameaças de natureza similar, para não falar do necessário reforço do investimento em literacia em saúde e de outros investimentos na Promoção e Protecção da Saúde, reiteradamente desvalorizadas. Muitas formas existem para tal reforço que não se esgotam nas abordagens para grupos (ou aspectos sectoriais) determinados, como são os exemplos da Saúde Ocupacional, da Saúde Ambiental ou da Saúde Escolar. Todavia, nem nestas áreas se investe o suficiente.
 
A Saúde Pública não é só o que se tem visto nestes dois anos: uma espécie de saúde vista pelo público e um ror de (pseudo)especialistas. Exige formas organizadas de protecção e de promoção da saúde das populações que, para além dos cuidados de saúde prestados a cada cidadão quando adoece, necessita de um grande investimento no robustecimento de meios e de recursos apropriados. Talvez resida nessa escassez uma das principais causas da insuficiência de muitas respostas em Saúde Pública, de que a resposta a uma emergência como a actual é apenas mais um exemplo.

Actuar antes que aconteça torna-se por isso decisivo, mas tal exige recursos não só de sistemas de vigilância e de intervenção, mas também de mais recursos de investigação com grande enfoque no que se convencionou denominar investigação/acção. Tal, de resto, está bem expresso na designação popular: mais vale prevenir que remediar. 

Todos conhecem o que é necessário para remediar, de que são bons exemplos os hospitais e os centros de saúde. Mas para prevenir são necessários também meios e recursos adequados e não apenas voluntarismo e boa vontade que, para alguns, parecem ser suficientes!


25 fevereiro 2022

+COVID-19: cá vamos numa descida pronunciada do pico da 5ª vaga!

 

 Antonio Sousa-Uva

 

Já não faltará muito para atingirmos quase meio bilião (na perspectiva americana, i.e. mil milhões) de casos “oficiais” de COVID-19, registados como tal o que, extrapolando para a população mundial será cerca de 10% da população mundial. O número real de casos será, no mínimo, cerca de três vezes esse número. Desses, quase seis milhões de mortos (cerca de 2/3 da população portuguesa) por (ou com) COVID!

A que número real corresponderá, conhecendo a “invisibilidade” de muitos casos, para não falar dos, por certo, inúmeros casos de COVID-infecção que não terão qualquer registo? 

A evolução da partícula viral indicia que o perfil endémico do tempo frio não estará muito longe como, de resto, acontece com vários outros vírus corona, colocando novos (e diferentes) desafios à população mundial.  

Com uma queda, em escassas semanas, de cerca de cinco vezes do valo-pico, tudo leva a crer que a vida pré-pandemia não se encontra longe, ainda que a comunidade mundial, espera-se, tenha aprendido o suficiente para desenvolver formas organizativas que não se podem esgotar, apenas, num “observatório” da partícula viral.

Julga-se que até ao início da primavera a taxa de incidência se reduza, pelo menos, outro tanto do que já se reduziu (cerca de cinco vezes).  Tal aponta para valores da taxa de incidência próximos dos 240 por 100.000 e um número de mortos que se “aconchegue” no que se convencionou considerar aceitável (se é que alguma morte é aceitável …).

Não seria desejável começar a planear o que fazer no próximo outono/inverno?

Espera-se que essa preocupação se consubstancie num plano de contingência concreto que dê a melhor resposta à próxima época das infecções respiratórias altas!

31 janeiro 2022

+COVID-19: dentro de cerca de uma semana atingiremos 400 milhões de casos registados!

A

 Antonio Sousa-Uva


Já não faltará muito para atingirmos os quatrocentos milhões de casos de COVID-19, registados como tal. Extrapolando para a população mundial o que por cá se passa, poderão ser cinco vezes mais os casos reais.

 

A que número real corresponderá conhecendo a “invisibilidade” de muitos casos, para não falar dos, por certo, inúmeros casos de COVID-infecção que não terão registo?

 

De novo, ainda, uma “gripezinha”? com quase seis milhões de casos fatais?

 

Aparentemente, a evolução da partícula viral indicia que o perfil endémico não estará longe como, de resto, acontece com vários outros vírus corona. A resposta mundial à pandemia mobilizou, e continua a mobilizar, todos, ainda que com o recurso a estratégias de acção muito diversas e uma iniquidade “gritante” entre países. Bastará referir as taxas de vacinação já atingidas nos diversos continentes para ilustrar essa realidade.

 

No futuro, outras pandemias por certo eclodirão e tudo leva a acreditar que as alterações climáticas promoverão transformações que poderão constituir um verdadeiro “gatilho” para a sua expressão mais amiudada.

 

Terá o mundo aprendido o suficiente para aprofundar sistemas de vigilância e de acção mais robustos para melhor reacção a situações futuras?

 

Terá a maioria dos países recursos adequados, de diversa índole, para a melhor resposta a essas novas situações?

 

Será o investimento actual em investigação na área da Saúde Pública suficiente para dar a melhor resposta a novas pandemias?

 

Os sistemas de saúde continuarão, provavelmente, a colocar “todos os ovos no mesmo cesto”, preterindo grosseiramente a Saúde Pública, não no sentido popular do seu significado mas na sua essência, leia-se no seu foco nas populações e em acções organizadas de prevenção de doenças e de Promoção da Saúde. É que a prestação individual de cuidados tem sido, no essencial, a única actividade valorizável no contexto das políticas públicas de saúde quando se perspectiva, por exemplo, os recursos disponíveis dedicados às diferentes actividades. A Saúde Pública há muito que é pouco valorizada pelo poder político.

 

Oxalá saibamos tirar lições para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas que se situam para além da clínica individual e se robusteçam formas organizadas da sociedade poder responder a outras ameaças que por certo virão. Ou queremos novas situações como a que ainda estamos a viver?


Nota: Publicado também no Blog Safemed.

27 janeiro 2022

+COVID-19: onda gigante espraiada? Será a melhoria pré-morte pandémica?

                                                                                Antonio Sousa-Uva

 

Todos (ou quase) os dias com recorde do número de casos excepto, como esperado, os dados de novos casos de sábado e de domingo. Com quase uma taxa de incidência, nos últimos 14 dias, de 6.000/100.000 (leia-se 6%, designação que a Epidemiologia não gosta) o número de casos é “esmagador”, ainda que com consequências menos gravosas do que o aconteceu na segunda vaga. O mapa de risco vai ter de ser de novo alterado e o vermelhão escuro já está mais que “ultrapassado”.

 

Nunca tivemos tantos novos casos nesta actual onda (gigante) pandémica, com mais de dois dígitos de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21). De repente quase um em cada quatro portugueses tiveram contacto com o SARS-CoV-2 naturalmente e, concretamente, não sabemos o número real de casos, nem saberemos serologicamente, dada a actual taxa de cobertura vacinal. Claro que os casos de COVID-infecção e os casos de COVID-doença estão mesclados, dados os critérios ainda prevalentes na actual estratégia de gestão do risco.

 

Julga-se que não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou mesmo um em cada dois) que, naturalmente, já foi infectado (ou adoeceu) com COVID-19.

 

A mortalidade galopa ainda que a níveis bem inferiores de há um ano e a “pressão” hospitalar está “flat” (a verdadeira “linha vermelha”, politicamente falando). Entretanto, cerca de 50% dos cidadãos elegíveis tem o rappel da vacina e, consequentemente, estão bem “equipados imunologicamente” para quaisquer intempéries pandémicas (no quadro genómico viral actual).

 

Hoje, 27 de janeiro de 2022, reacende-se alguma preocupação com o índice de transmissibilidade a crescer (após algumas semanas a minguar) o que, associado ao perfil pandémico em países que nos antecederam, indicia que a crista da onda está “atrasada” em relação à previsão de há algumas semanas atrás. E o presente acto eleitoral não será alheio a tal perfil.

 

Dito de outra forma, deveria ser um tempo de contenção, mas o ciclo eleitoral “imposto” vem exacerbar o ciclo pandémico, compreendendo-se mal os objectivos da política, e a sua conciliação com as mais adequadas estratégias de acção (policy), com o dever de não propagar uma doença. Mesmo num país com taxas de vacinação superiores a 90% acrescidas da imunização natural …

 

Não seria altura de adequar a resposta nacional ao SARS-CoV-2? Ou vamos continuar “a reboque” do que se vai passando abroad? Nada de novo, portanto!

 

Para o próximo inverno será, por certo, tudo diferente!


Nota: Publicado inicialmente em Healthnews.

 

21 janeiro 2022

+COVID-19: na crista da onda!

Antonio Sousa-Uva

 

Nunca tivemos tantos novos casos nesta actual onda (gigante) pandémica, praticamente com mais de dois dígitos de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21). De repente, formalmente, atingimos cerca de um em cada quatro ou cinco portugueses. Concretamente, não sabemos o número exacto de casos, nem serologicamente saberemos, dada a taxa de cobertura vacinal.

 

Julga-se que não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou mesmo um em cada dois). 


A crista será modificada pela campanha eleitoral e as eleições?


Só sabemos que o não sabemos e não parece haver muita preocupação porque não há filas de ambulâncias nos hospitais e as camas de Cuidados Intensivos ainda não estão todas ocupadas (dada a pouca importância que damos à cativação de camas dos doentes não COVID  que gradualmente vão sendo afectas à "necessidade"…).

 

Hoje, 21 de janeiro de 2022, estamos com uma taxa de incidência praticamente próximo dos 5.000 casos por 100.000 o que representa “n” vezes mais do que determinou o fecho de (quase) tudo há um ano. A única boa notícia é que o índice de transmissibilidade está a minguar vai para três semanas o que, associado ao perfil pandémico em países que nos antecederam nesta onda, indicia que a sua crista está “logo ao virar da esquina".

 

De facto, agora já não é aparente que a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal se bem que, em boa verdade, nada se saiba em concreto da forma e tempo como esse percurso vai suceder.

 

Dito de outra forma, deveria ser um tempo de contenção e expectativa que o ciclo eleitoral “imposto” vem ainda exacerbar perante a “fatalidade” do dever de voto se sobrepor, sem qualquer hesitação, ao dever de não propagar uma doença. Sempre, desde o início da pandemia, a amálgama entre a politic e a policie com o desfecho habitual esperado nos Estados de Direito democráticos.

 

Entretanto, o distanciamento físico (também apelidado social) é cada vez mais perspectivado como algo “careta”. Então para que é que nos vacinamos? Será uma espécie de iliteracia da literacia adquirida?

12 janeiro 2022

+COVID-19: uma incidência esmagadora!

                                                                                               Antonio Sousa-Uva

 

Na actual onda (gigante) pandémica, praticamente com o dobro de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21), já adoeceram com COVID-19, até agora, quase um em cada cinco portugueses. A que número real corresponderá o número “oficial de casos”?

 

Julga-se que, pelo menos, não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou residentes) e com uma mortalidade que atinge mais de quatro em cada cinco cidadãos com mais de 80 anos. Compreende-se, por isso, a descida da idade da reforma para 2023 com tal impacto (negativo) na esperança de vida.

 

Hoje, 10 de janeiro de 2022, estamos com uma taxa de incidência superior a 3.200 casos por 100.000 o que, para se entender um pouco essa magnitude, bastará recordar que a incidência é considerada elevada acima de 480 casos (cerca de sete vezes mais)…

 

Apesar disso o índice de transmissibilidade parece estar a ceder (está agora em 1,24) o que pode indiciar que estamos na “crista desta onda” ou a iniciar o planalto de descida.

 

Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal e os media inundam-nos com parcos especialistas e uma pletora de (pseudo)especialistas, mais ou menos doutos em diversas áreas desconexas da Saúde Pública e da Epidemiologia. Peroram, quais músicos que tocam de ouvido, sem qualquer conhecimento das claves, sobre diversos aspectos técnico-científicos dessas áreas científicas. A última “melodia” é que estamos em endemia o que, se esses despautérios fossem taxados com IVA, teríamos, por certo, uma franca descida da dívida pública com a magnitude da receita fiscal “encaixada”.

 

No entanto, em boa verdade, nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão como já antes foi por nós referido em outros destes textos.

 

Convém repetir, até à exaustão, que as estratégias de acção de controlo pandémico não devem esmorecer o esforço da vacinação, já que se trata de um verdadeiro equipamento de protecção individual (EPI), ainda que biológico, bem mais eficaz do que as máscaras ou os respiradores que, todavia, devem ser mantidos complementarmente a tal imunoterapia.

 

É que a imunoterapia específica é bem mais eficaz para a doença grave do que para a doença ou a infecção em termos genéricos e, por isso, não a previne tão eficientemente e, consequentemente, a partícula viral continua, ainda que com menor intensidade, com circulação comunitária. Essa característica, associada à transmissibilidade pré-sintomática, determina em muito a actual expressão pandémica.

 

O distanciamento físico (também apelidado social) também deve ser mantido complementarmente aos EPI (físico e “biológico”) referidos, sendo importante realçar que os vírus não parecem ligar muito a qualquer obrigação social e, tudo leva a crer, que estão mais interessados em arranjar hospedeiros para se replicar. Até quando se hospedam em eleitores!


Nota: Publicado inicialmente na plataforma Healthnews.

 10 de janeiro de 2022

03 janeiro 2022

+COVID-19: ano novo, vida velha?

 Antonio Sousa-Uva 

 

Ninguém sabe!

 

A manter-se o que está, a população infectada a cada três dias e num mês corresponderia a cerca de 10% da população infectada ou seja, um pouco menos que a totalidade dos novos casos desde o início da pandemia. Vamos ver o que janeiro nos reserva!

 

A população mobilizou-se para se testar na ânsia de ter umas Festas mais parecidas com o período pré-pandémico. De facto, faz sentido uma estimativa de, pelo menos, 10% da população ter feito um (qualquer) teste e também aí residirá a explicação para uma taxa de positividade mais de duas vezes acima do que se convencionou chamar “linha vermelha” (já que não é seguramente linha e a cor é indeterminada …).

 

De facto, o número de testes só se compara com o Reino Unido, estando muito acima da nossa vizinha Espanha ou da França e mais ainda da Alemanha. Os novos casos, nos últimos 7 dias, estão mesmo na ordem dos 1500 por milhão, só ultrapassados, na Europa, pela Espanha, pela França e pelo Reino Unido e bem acima da Itália e da Alemanha, por exemplo.

 

O índice de transmissibilidade caminha para os 1,5 (ainda assim abaixo do que se observa em Espanha próximo dos 2), mas praticamente o dobro do que se observa na Alemanha o que significa que ainda vai crescer o número de casos.

 

Como será o ano de 2022? Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal!  No entanto, em boa verdade nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão.

 

Entretanto cerca de 60% da população mundial tem pelo menos uma dose da vacina, ainda que os países menos abonados tenham uma taxa inferior a 10% o que aumenta a probabilidade de mais replicação e maior risco do aparecimento de outras variantes (a próxima será a pi, caso não se volte a dar um salto no alfabeto grego …).

 

Enfim, será este ano novo, “ano novo, vida nova” ou “ano novo, vida velha”?

 

3 de janeiro de 2022

24 dezembro 2021

+COVID-19: o reiterado esquecimento da resposta da Saúde Pública à pandemia e o actual renascimento dos “rastreadores”!

 Antonio Sousa-Uva 

 

A fazer fé na informação veiculada pelo Jornal i do passado dia 23 de dezembro de 2021, mais de 200.000 cidadãos estão em isolamento profilático! Tal corresponde aproximadamente a 2% da população.

 

É muito interessante constatar que os profissionais de saúde evocados nesta emergência de Saúde Pública são, para além dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros profissionais) dos hospitais, nenhuns outros. Quase nada se fala da Medicina Geral e Familiar e menos ainda das Unidades de Saúde Pública, a nível local e regional já que, afortunadamente, a nível nacional a Direcção-Geral de Saúde Pública (como é muitas vezes apelidada) é profusamente evocada e, como se sabe, acumula funções de Autoridade de Saúde Nacional.

 

Mas há uma excepção a todo esse “apagão”, os denominados “rastreadores” que é uma nova “profissão” condenada à morte mal a pandemia esteja (real ou aparentemente) controlada. O seu nascimento tem-se relacionado com uma emergência de resposta à míngua de profissionais nas Unidades de Saúde Pública e incluem cidadãos “treinados” por médicos (e outros profissionais) de Saúde Pública dessas Unidades para promover a iminente necessidade de isolamento de casos (confirmados ou suspeitos). Existem nos rastreadores diferentes relações de vínculo, diferentes origens e formações e até recursos humanos de estruturas militares.

 

Claro que é um improviso (justificado pela situação de emergência, ainda que com dois anos de existência) e, por isso, acalmada a intempérie das ondas pandémicas, finam-se essas respostas extemporâneas que podem “ressuscitar” em caso de novos agravamentos, mas sempre com igual grau de improvisação, como agora parece acontecer. Ora tal resposta (des)organizada em épocas, como a actual fase pandémica, com uma nova variante “VirusGV, qual TrainGV” e das Festas de Natal e Ano Novo, fica condenada a uma resposta difícil de adjectivar. Acresce ainda o provável escalar do R(t) que se vislumbra que comece (se já não está) a empinar e, aparentemente, o importante encurtamento do tempo de incubação e de transmissibilidade não augura nada de bom nestas próximas duas semanas.

 

Numa especialidade que exercemos, a Medicina do Trabalho, “prima” da Saúde Pública, há muitos anos que éramos conhecidos na gíria, mas claro que em círculo restrito, como os “médicos dos croquetes e das retretes”, julga-se que sublinhando (e também apoucando) uma referência ao papel desses médicos do trabalho em intervenções nos refeitórios e em instalações sanitárias das empresas ou outras organizações. Felizmente isso acabou e hoje somos muito mais valorizados, se  porventura não estou míope!

 

E os médicos de Saúde Pública e os outros profissionais das Unidades de Saúde Pública como, por exemplo, os enfermeiros de Saúde Pública e os profissionais da área da Saúde Ambiental como estarão? Serão em número suficiente para tal gigantismo de tarefas? Terão os recursos suficientes para tais tarefas e, pior ainda, para a necessidade de resposta emergente?

 

Diria que, com as excepções da Autoridade Nacional de Saúde e de poucos dirigentes de Associações e outras organizações profissionais conexas, os profissionais da área da Saúde Pública só são recordados para lhes atribuir alguns comentários de insuficiente resposta ou, pior ainda, são “substituídos” por aquela nova profissão: os rastreadores. Imagine-se algo equivalente em unidades de cuidados intensivos: os "intencivadores"! 


Sem qualquer desprimor para os rastreadores a quem devemos estar gratos, assim que cessar a emergência, será que se olhará para a Saúde Pública de outra forma?


Lisboa, 24 de dezembro de 2021

23 dezembro 2021

+COVID-19: qualquer pandemia exige uma panresposta! Ao fim de 2 anos é isso que tem acontecido?


                                                                                                              Antonio Sousa-Uva 


Por cá a vigilância genómica realizada, também com recurso a algumas formas mais expeditas na rede laboratorial, já aponta para que mais de metade dos novos casos de infecção (ou doença) causada pelo SARS-CoV-2 possa ser causada pela nova variante.

 

Um ano depois do período perinatal de 2020 estamos mais rápidos a responder, apesar da prévia “explosão” do número de casos em alguns países, designadamente da Europa do Norte já indiciar uma nova onda pandémica e a nova variante ómicron, apesar das proibições feitas a viagens da África Austral, já estar presente na Europa já vai para cerca de 5 semanas. O tsunami mais recente no Reino Unido e em Espanha (tão próximos por ar ou por terra) veio determinar o que já se vislumbrava há semanas que por cá se passaria.

 

Hoje, 22 de dezembro, temos cerca de 9000 novos casos que, observada a curva pandémica, indiciam, sem ser necessário o recurso a complexos modelos matemáticos, que se vislumbra a possibilidade de, no mínimo, poder ocorrer a duplicação de casos diários nas duas ou três semanas que se avizinham que, grosseiramente irão, pelo menos até ao dia de Reis (que, recorde-se, usam coroa, etimologicamente do latim corona).

 

A Alemanha, por exemplo, reagiu bem mais precocemente, ainda na alvorada da eclosão da nova variante, estando a descer o número de casos há cerca de 2 ou 3 semanas depois de ter atingido o pico mais elevado de novos casos diários e da média de 7 dias. Todos se recordarão da veemência da resposta a essa onda, nem sempre bem compreendida, por parte da ex-Chanceler Angela Dorothea Merkel, apesar da então iminente cessação das funções políticas.

 

Há cerca de 1 ano que o Director-Geral da OMS, o Dr.  Tedros Adhanom Ghebreyesus, etíope e primeiro Director-Geral Africano da OMS  (a terminar o seu mandato de 5 anos na próxima primavera/verão) e o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas, clamam, debalde, pela necessidade de uma panresposta à pandemia, centrando o seu discurso na necessidade de taxas de vacinação mais equilibradas em toda a população mundial, por oposição à iniquidade actual, para se poder obter um maior sucesso no combate à pandemia. Na Etiópia, por exemplo, a vacinação incompleta (sem rappel) abrange menos de 10% (cerca de 7%) da população e por cá estamos nos 90%.

 

De facto, a actual resposta mundial à pandemia permite ainda que em muitas zonas geográficas o vírus circule naturalmente nas populações e que dessa forma a replicação vá gerando, com mais facilidade, a possibilidade de surgirem novas variantes que não se esgotarão, por certo, na ómicron no processo de “adaptação” da partícula viral ao hospedeiro.

 

Será assim tão complicado compreender que problemas globais só se resolvem com respostas globais? É que com a actual mobilidade, a imunidade de grupo é da população mundial e não da população de cada país, e mais ainda com um vírus-camaleão como este corona.

 

Entretanto na África do Sul há cerca de 1 semana que se assiste à diminuição do número de novos casos.


Nota: Publicado inicialmente em Healthnews.

 

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