Antonio Sousa-Uva
Cá vamos de novo a caminho de mais um pico, uma vez que o índice de
transmissibilidade já sobe há várias semanas1. Mas, apesar disso, melhorou, talvez devido ao
Natal, o nível de alerta que vai ocorrer antes de chegar ao “nível de alerta”
da taxa de incidência (240 por 100.000)2. Estamos a melhorar portanto na reacção às ondas pandémicas (basta
recordar o sucedido na época peri e pós Natal de 2020 …) ainda que em pouco
tempo tenhamos triplicado esse índice.
Os canais noticiosos de Rádio e Televisão voltam a dedicar enorme tempo
de antena à situação pandémica e regressam algumas caras aos écrans numa palete
muito diversificada, muitas vezes de opiniões travestidas de conteúdo
científico alimentada, julga-se, pela facilidade de acesso à informação nacional
e mundial sobre a pandemia e pela vontade de participar. Dois aspectos bem
positivos.
Num país em que, em quase 10 milhões, pouco mais de um “campo de
futebol” da população elegível não se vacinou (e/ou não terminou a vacinação) regressa
também quem ponha em causa a criação de conhecimento sobre a eficácia da
imunoterapia específica na incidência da doença grave e da morte. Há falta de
melhor, a argumentação recai nas consequências indirectas das medidas de gestão
do risco anteriormente adoptadas.
Numa palavra, a perspectiva da “culpa” sobreleva-se e não se
personificando a partícula viral alguém tem que “vergar com a responsabilidade”.
Uma espécie de “Hay Gobierno? Soy contra!".
Regressam os “porta-bandeiras”
pró e contra, entre outros, o teletrabalho, os confinamentos, as limitações das
lotações e argumenta-se e contra-argumenta-se muito sobre o uso de salvos-condutos
(como os certificados) reemergindo a perspectiva jurídica que, aparentemente,
transborda agora os aspectos da (in)constitucionalidade de medidas potenciais a
adoptar. Não se estranharia que para festas de fim do ano se exija um “passaporte”
para aceder …
Quem tem fé não
se coíbe de opinar, o que em matéria de Saúde Pública é positivo, não fosse
alguns dos emissores de opinião desempenharem papéis que contraindicam a emissão
dessas mesmas opiniões por, potencialmente, não serem anódinas a quem decide.
Entretanto, não
seria melhor focarmo-nos mais no distanciamento físico e no uso de máscara, quando tal não é possível ou em espaços fechados?
Referências
bibliográficas
1 Portugal. SNS- Serviço Nacional de Saúde. Em linha. Disponível em https://www.sns.gov.pt/noticias/. Consultado em 17 de novembro de 2021.
2 Our
World in data. Em linha. Disponível em https://ourworldindata.org/explorers/coronavirus-data-explorer?zoomToSelection=true&time=2020-12-15..2021-11-15&facet=none&pickerSort=asc&pickerMetric=location&Metric=Reproduction+rate&Interval=Biweekly+change&Relative+to+Population=true&Align+outbreaks=false&country=USA~GBR~CAN~DEU~ITA~IND~PRT~Europe~ESP~FRA.
Consultado em 17
de novembro de 2021.
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