Antonio Sousa-Uva
Ninguém sabe!
A manter-se o que
está, a população infectada a cada três dias e num mês corresponderia a cerca
de 10% da população infectada ou seja, um pouco menos que a totalidade dos
novos casos desde o início da pandemia. Vamos ver o que janeiro nos reserva!
A população
mobilizou-se para se testar na ânsia de ter umas Festas mais parecidas com o
período pré-pandémico. De facto, faz sentido uma estimativa de, pelo menos, 10%
da população ter feito um (qualquer) teste e também aí residirá a explicação
para uma taxa de positividade mais de duas vezes acima do que se convencionou
chamar “linha vermelha” (já que não é seguramente linha e a cor é indeterminada
…).
De facto, o número
de testes só se compara com o Reino Unido, estando muito acima da nossa vizinha
Espanha ou da França e mais ainda da Alemanha. Os novos casos, nos últimos 7
dias, estão mesmo na ordem dos 1500 por milhão, só ultrapassados, na Europa,
pela Espanha, pela França e pelo Reino Unido e bem acima da Itália e da
Alemanha, por exemplo.
O índice de
transmissibilidade caminha para os 1,5 (ainda assim abaixo do que se observa em
Espanha próximo dos 2), mas praticamente o dobro do que se observa na Alemanha
o que significa que ainda vai crescer o número de casos.
Como será o ano de
2022? Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um
vírus endémico sazonal! No entanto, em
boa verdade nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem
provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão.
Entretanto cerca de
60% da população mundial tem pelo menos uma dose da vacina, ainda que os países
menos abonados tenham uma taxa inferior a 10% o que aumenta a probabilidade de
mais replicação e maior risco do aparecimento de outras variantes (a próxima
será a pi, caso não se volte a dar um salto no alfabeto grego …).
Enfim, será este
ano novo, “ano novo, vida nova” ou “ano novo, vida velha”?
3
de janeiro de 2022
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