03 janeiro 2022

+COVID-19: ano novo, vida velha?

 Antonio Sousa-Uva 

 

Ninguém sabe!

 

A manter-se o que está, a população infectada a cada três dias e num mês corresponderia a cerca de 10% da população infectada ou seja, um pouco menos que a totalidade dos novos casos desde o início da pandemia. Vamos ver o que janeiro nos reserva!

 

A população mobilizou-se para se testar na ânsia de ter umas Festas mais parecidas com o período pré-pandémico. De facto, faz sentido uma estimativa de, pelo menos, 10% da população ter feito um (qualquer) teste e também aí residirá a explicação para uma taxa de positividade mais de duas vezes acima do que se convencionou chamar “linha vermelha” (já que não é seguramente linha e a cor é indeterminada …).

 

De facto, o número de testes só se compara com o Reino Unido, estando muito acima da nossa vizinha Espanha ou da França e mais ainda da Alemanha. Os novos casos, nos últimos 7 dias, estão mesmo na ordem dos 1500 por milhão, só ultrapassados, na Europa, pela Espanha, pela França e pelo Reino Unido e bem acima da Itália e da Alemanha, por exemplo.

 

O índice de transmissibilidade caminha para os 1,5 (ainda assim abaixo do que se observa em Espanha próximo dos 2), mas praticamente o dobro do que se observa na Alemanha o que significa que ainda vai crescer o número de casos.

 

Como será o ano de 2022? Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal!  No entanto, em boa verdade nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão.

 

Entretanto cerca de 60% da população mundial tem pelo menos uma dose da vacina, ainda que os países menos abonados tenham uma taxa inferior a 10% o que aumenta a probabilidade de mais replicação e maior risco do aparecimento de outras variantes (a próxima será a pi, caso não se volte a dar um salto no alfabeto grego …).

 

Enfim, será este ano novo, “ano novo, vida nova” ou “ano novo, vida velha”?

 

3 de janeiro de 2022

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