05 agosto 2021

+COVID-19: quase o equivalente a metade da população portuguesa de óbitos por (ou com) SARS-CoV-2!

 

António de Sousa Uva


A variante delta já é totalmente hegemónica e a sua contagiosidade já foi equiparada à da varicela. Para quem viveu com filhos pequenos a época das doenças exantemáticas (e similares) muito frequentes e/ou fez clínica numa época em que a arte era uma das suas características dominantes essa contagiosidade é, talvez, ainda melhor percepcionada.

 

A maioria dos “treinadores de bancada”, mesmo oriundos do Ensino e Investigação, foram “a banhos”, mas tal não impede uma verdadeira “floresta” de opiniões sobre a vacinação dos mais jovens que teve um determinado veredicto da comissão técnica de especialistas nesse domínio. Regressa a evocação quase diária de decisões díspares em diferentes países (e até no nosso território nacional) que fundamenta muitas daquelas posições, sendo agora a DGS o “saco de areia” e a apreciação crítica da sua acção, no bem futebolês “de bestial a besta”, quase dominante. De novo a amálgama entre a politic e a policy que tem sido a regra nesta pandemia, neste caso mesclada ainda com aspectos técnico-científicos, qual Benfica-Sporting entre o sim e o não, mesmo no seio da classe médica, segundo parece.

 

Assim reage alguma da população portuguesa à actual situação pandémica com uma intervenção minimalista dos órgãos de governo também já maioritariamente “a banhos” depositando no Vice-Almirante (e a sua equipa quase sempre no Backoffice) e na vasta equipa de vacinadores não só os louros mas, sobretudo, a necessidade de cumprimento da missão.

 

Tudo leva a crer que os pólos se situam mais em aspectos individuais nuns casos e em perspectivas de base populacional noutros que, de resto, também se observam por esse mundo fora, Uma coisa é certa, a vacinação modifica significativamente a história natural da doença em cada indivíduo e também a sua transmissibilidade.

 

Exige-se, por isso, nesta silly season uma imensa dose de paciência e o reforço da determinação em dificultar ao máximo a transmissibilidade mas, contudo, não são a paciência nem a determinação que mais se parecem respirar neste verão de 2021. A pandemia não liga bem com caipirinhas e caipiroskas … e o relaxe das principais medidas de prevenção poderá renascer com a avidez da “libertação”.

 

Entretanto, pelo sim e pelo não, o turismo interno acelera e traz esperança `na retoma das actividades económicas que “amaciem” a crise que se avizinha, bem certa se o custo do dinheiro subir num país cada vez mais endividado na resposta à pandemia. É a busca do equilíbrio entre a Saúde e a Economia a que os políticos tanto gostam de se referir.

 

Nesta actual situação e com a lembrança do último ano e meio vem-me sempre à memória a douta frase de quem se referiu a esta emergência de Saúde Pública como “uma gripezinha” … Um visionário, por certo.

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