António de Sousa Uva
A variante delta já é totalmente hegemónica e a sua
contagiosidade já foi equiparada à da varicela. Para quem viveu com filhos
pequenos a época das doenças exantemáticas (e similares) muito frequentes e/ou
fez clínica numa época em que a arte era uma das suas características dominantes
essa contagiosidade é, talvez, ainda melhor percepcionada.
A maioria dos “treinadores de bancada”, mesmo oriundos do Ensino
e Investigação, foram “a banhos”, mas tal não impede uma verdadeira “floresta”
de opiniões sobre a vacinação dos mais jovens que teve um determinado veredicto
da comissão técnica de especialistas nesse domínio. Regressa a evocação quase
diária de decisões díspares em diferentes países (e até no nosso território
nacional) que fundamenta muitas daquelas posições, sendo agora a DGS o “saco de
areia” e a apreciação crítica da sua acção, no bem futebolês “de bestial a besta”, quase dominante. De novo a amálgama
entre a politic e a policy que tem sido a regra nesta
pandemia, neste caso mesclada ainda com aspectos técnico-científicos, qual
Benfica-Sporting entre o sim e o não, mesmo no seio da classe médica, segundo
parece.
Assim reage alguma da população portuguesa à actual situação pandémica
com uma intervenção minimalista dos órgãos de governo também já
maioritariamente “a banhos” depositando no Vice-Almirante (e a sua equipa quase
sempre no Backoffice) e na vasta
equipa de vacinadores não só os louros mas, sobretudo, a necessidade de
cumprimento da missão.
Tudo leva a crer que os pólos se situam mais em aspectos
individuais nuns casos e em perspectivas de base populacional noutros que, de
resto, também se observam por esse mundo fora, Uma coisa é certa, a vacinação
modifica significativamente a história natural da doença em cada indivíduo e
também a sua transmissibilidade.
Exige-se, por isso, nesta silly
season uma imensa dose de paciência e o reforço da determinação em
dificultar ao máximo a transmissibilidade mas, contudo, não são a paciência nem
a determinação que mais se parecem respirar neste verão de 2021. A pandemia não
liga bem com caipirinhas e caipiroskas … e o relaxe das principais medidas de
prevenção poderá renascer com a avidez da “libertação”.
Entretanto, pelo sim e pelo não, o turismo interno acelera e
traz esperança `na retoma das actividades económicas que “amaciem” a crise que
se avizinha, bem certa se o custo do dinheiro subir num país cada vez mais
endividado na resposta à pandemia. É a busca do equilíbrio entre a Saúde e a Economia
a que os políticos tanto gostam de se referir.
Nesta actual situação e com a lembrança do último ano e meio vem-me
sempre à memória a douta frase de quem se referiu a esta emergência de Saúde
Pública como “uma gripezinha” … Um visionário, por certo.
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