28 julho 2021

+COVID-19: já próximo de dois em três com imunidade induzida artificialmente e/ou naturalmente!

 

 

António de Sousa Uva

 

A vacinação da população continua a progredir e já estaremos com dois em cada três cidadãos com imunidade, considerando também a imunidade natural adquirida, e três em quatro com algum grau de imunidade. A variante delta (e a plus ou “premium”, para quem preferir) eclipsou todas as outras e estamos a atingir o início da descida da actual onda pandémica. Tal como estava previsto o perfil de consumo de cuidados hospitalares tem sido bem diverso da anterior onda do período periNatal, ainda que provavelmente atinjamos os quatro dígitos (muito magros) de internamentos e o seu aumento ainda vá permanecer por mais algumas (escassas) semanas.

 

O que concentra a atenção de todos actualmente é, essencialmente, a grelha de avaliação de risco e a vacinação dos jovens dos 12 aos 15 anos e esta semana teremos, por certo, novidades nesse domínio. A tal propósito existem muitas questões que determinam alguma reflexão, entre as quais emergem muitas interrogações, como por exemplo:

 

As grelhas (ou matrizes) de avaliação de risco devem apontar tendências que ajudem a tomar decisões de gestão de risco e as variáveis que as compõem, frequentemente, não são independentes. Não ter isso em conta poderá dificultar a qualidade desses indicadores?

 

As questões de natureza ética colocam-se, essencialmente, quando existem diversos “valores” em causa. Quais os valores que se devem sobrepor quando essa “conflitualidade” se instala?

 

Os direitos, liberdades e garantias individuais devem ser “sacrificados” em função de um qualquer objectivo comunitário?

 

Qual o melhor equilíbrio entre as questões da Economia e da Saúde?

 

Manter-se-á o baixo controlo fronteiriço português? O pico turístico deste tempo quente que importância tem no controlo da pandemia?

 

Entretanto, as escolas estão em férias grandes (o que é uma boa ajuda ao actual surto pandémico) e tudo leva a crer que até ao fim do verão a imunidade de grupo seja atingida (qualquer que seja esse valor já que, tradicionalmente, a adesão dos portugueses às vacinas é, há muito, das melhores do mundo). Isto num contexto de incerteza da ocorrência de mutações que os vírus vão sofrendo (e que por certo ainda sofrerão) e, mais objetivamente ainda, da somítica disponibilidade de doses de vacina sempre constrangida pela regra da entrega ser, sistematicamente, inferior ao acordado.

 

E o descanso (e agora as férias) dos profissionais de saúde? Não estarão já em suficiente exaustão profissional e emocional?

 

É bom recordar que o burnout (profissional) atinge, essencialmente, os trabalhadores mais dedicados ao seu trabalho e que nele colocam as mais elevadas expectativas.

 

Será urgente definir estratégias adequadas de fomento de um bom equilíbrio entre as exigências do trabalho e a saúde (e segurança) de quem trabalha?

 

Ou a opção é algo semelhante ao que aconteceu com o cavalo do inglês?

 

Oxalá o bom senso (e outra sensatez) seja o denominador comum da gestão de risco e o caminho pan-epi-en demia se faça sem sobressaltos e “populismos” desadequados à nossa actual fase pandémica.

 

Estou certo que tal acontecerá!   

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixe o seu comentário e participe na reflexão que é o principal objectivo deste blog.

Em destaque

+COVID-19: nova variante, novos desafios?