12 janeiro 2022

+COVID-19: uma incidência esmagadora!

                                                                                               Antonio Sousa-Uva

 

Na actual onda (gigante) pandémica, praticamente com o dobro de novos casos da 3ª vaga (dez 20/jan 21), já adoeceram com COVID-19, até agora, quase um em cada cinco portugueses. A que número real corresponderá o número “oficial de casos”?

 

Julga-se que, pelo menos, não se andará muito longe de uma incidência real de um em cada três portugueses (ou residentes) e com uma mortalidade que atinge mais de quatro em cada cinco cidadãos com mais de 80 anos. Compreende-se, por isso, a descida da idade da reforma para 2023 com tal impacto (negativo) na esperança de vida.

 

Hoje, 10 de janeiro de 2022, estamos com uma taxa de incidência superior a 3.200 casos por 100.000 o que, para se entender um pouco essa magnitude, bastará recordar que a incidência é considerada elevada acima de 480 casos (cerca de sete vezes mais)…

 

Apesar disso o índice de transmissibilidade parece estar a ceder (está agora em 1,24) o que pode indiciar que estamos na “crista desta onda” ou a iniciar o planalto de descida.

 

Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal e os media inundam-nos com parcos especialistas e uma pletora de (pseudo)especialistas, mais ou menos doutos em diversas áreas desconexas da Saúde Pública e da Epidemiologia. Peroram, quais músicos que tocam de ouvido, sem qualquer conhecimento das claves, sobre diversos aspectos técnico-científicos dessas áreas científicas. A última “melodia” é que estamos em endemia o que, se esses despautérios fossem taxados com IVA, teríamos, por certo, uma franca descida da dívida pública com a magnitude da receita fiscal “encaixada”.

 

No entanto, em boa verdade, nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão como já antes foi por nós referido em outros destes textos.

 

Convém repetir, até à exaustão, que as estratégias de acção de controlo pandémico não devem esmorecer o esforço da vacinação, já que se trata de um verdadeiro equipamento de protecção individual (EPI), ainda que biológico, bem mais eficaz do que as máscaras ou os respiradores que, todavia, devem ser mantidos complementarmente a tal imunoterapia.

 

É que a imunoterapia específica é bem mais eficaz para a doença grave do que para a doença ou a infecção em termos genéricos e, por isso, não a previne tão eficientemente e, consequentemente, a partícula viral continua, ainda que com menor intensidade, com circulação comunitária. Essa característica, associada à transmissibilidade pré-sintomática, determina em muito a actual expressão pandémica.

 

O distanciamento físico (também apelidado social) também deve ser mantido complementarmente aos EPI (físico e “biológico”) referidos, sendo importante realçar que os vírus não parecem ligar muito a qualquer obrigação social e, tudo leva a crer, que estão mais interessados em arranjar hospedeiros para se replicar. Até quando se hospedam em eleitores!


Nota: Publicado inicialmente na plataforma Healthnews.

 10 de janeiro de 2022

03 janeiro 2022

+COVID-19: ano novo, vida velha?

 Antonio Sousa-Uva 

 

Ninguém sabe!

 

A manter-se o que está, a população infectada a cada três dias e num mês corresponderia a cerca de 10% da população infectada ou seja, um pouco menos que a totalidade dos novos casos desde o início da pandemia. Vamos ver o que janeiro nos reserva!

 

A população mobilizou-se para se testar na ânsia de ter umas Festas mais parecidas com o período pré-pandémico. De facto, faz sentido uma estimativa de, pelo menos, 10% da população ter feito um (qualquer) teste e também aí residirá a explicação para uma taxa de positividade mais de duas vezes acima do que se convencionou chamar “linha vermelha” (já que não é seguramente linha e a cor é indeterminada …).

 

De facto, o número de testes só se compara com o Reino Unido, estando muito acima da nossa vizinha Espanha ou da França e mais ainda da Alemanha. Os novos casos, nos últimos 7 dias, estão mesmo na ordem dos 1500 por milhão, só ultrapassados, na Europa, pela Espanha, pela França e pelo Reino Unido e bem acima da Itália e da Alemanha, por exemplo.

 

O índice de transmissibilidade caminha para os 1,5 (ainda assim abaixo do que se observa em Espanha próximo dos 2), mas praticamente o dobro do que se observa na Alemanha o que significa que ainda vai crescer o número de casos.

 

Como será o ano de 2022? Aparentemente, a partícula viral faz o seu caminho para se tornar um vírus endémico sazonal!  No entanto, em boa verdade nada sabemos sobre o tempo que tal trajecto demorará e é bem provável que ainda tenhamos vida velha neste novo ano pelo menos até ao verão.

 

Entretanto cerca de 60% da população mundial tem pelo menos uma dose da vacina, ainda que os países menos abonados tenham uma taxa inferior a 10% o que aumenta a probabilidade de mais replicação e maior risco do aparecimento de outras variantes (a próxima será a pi, caso não se volte a dar um salto no alfabeto grego …).

 

Enfim, será este ano novo, “ano novo, vida nova” ou “ano novo, vida velha”?

 

3 de janeiro de 2022

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