A vacinação da população avança a bom ritmo e já passámos, seguramente,
dos três em cada quatro com algum grau de imunidade, considerando também a
imunidade natural. Talvez seja influência dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020,
recentemente realizados, esta perspectiva competitiva mundial da vacinação ...
que, confesso, tenho grande dificuldade em entender.
De facto, tendo em conta os 10% de cidadãos que já contraíram a doença,
alguns dos quais com rappel vacinal adicional,
não andaremos longe de quatro em cada cinco com algum grau de imunidade. Quem
se referiu copiosamente à imunidade de grupo (muitas vezes sem saber o que é o
sistema imune ou tendo desse sistema uma imagem semelhante à PSP ou GNR do
nosso corpo) ou a denominou “imunidade de rebanho” (sem ser brasileiro) está
agora talvez perplexo ou, se vier das Ciências Exactas por exemplo, poderá
achar que é mais uma falta de exatidão dos médicos (e outros profissionais de
saúde). Mais uma!
Essa perspectiva não releva muita coisa e, por exemplo, outros dados da
vacinação. Não revela, por exemplo, que menos de um em três dos seres humanos
recebeu uma só dose da vacina e menos de um em quatro tem a vacinação completa.
Se “fatiarmos” a distribuição de seres humanos por países constata-se que só
cerca de um por cento desses seres estão vacinados em países menos abonados e
em alguns deles dez vezes menos do que isso como é o exemplo da Tanzânia (Our World in Data, 2021). Uma espécie de outro
Kilimanjaro que é difícil de alcançar.
Tal não será importante numa situação pandémica?
O que poderá estar na eclosão de novas estirpes (ou variantes)?
Os vírus terão uma
qualquer discriminação ao infectar um rico ou um pobre?
Haverá dois humanismos
(o rico e o pobre)?
A vacinação dos grupos etários mais jovens e o 3º rappel (ou, eventualmente, 2º na imunização com uma aplicação) mobilizam
a opinião pública e regressam os “peritos” que peroram profusamente em quase
todos os canais noticiosos e nas redes sociais. Apesar da minha amostra não ter
representatividade, o tema Autárquicas será talvez menos abordado que a acesa “discussão”
sobre aqueles temas.
Tal deverá corresponder à manutenção dos receios, ainda muito elevados,
do SARS-CoV-2 que a sociedade mantém “de mãos dadas” com a desejada (e muitas
vezes objectivada) “libertação” dos constrangimentos impostos pela pandemia, o
que poderá parecer o seu contrário (ou mesmo o oposto).
Apesar de muito perto, estamos bem longe do que vivíamos há cerca de um
ano (Sousa-Uva, Sousa-Uva e Serranheira, 2021). Talvez não seja má ideia um
olhar mais pan também sobre a vacinação.
Bibliografia
- Sousa-Uva M, Sousa-Uva A, Serranheira F. Prevalence of Covid-19 in health professionals and occupational psychosocial risks. Rev Bras Med do Trab. 2021;19(1):73–81. Available from: /pmc/articles/PMC8100762//
- Our World in Data. Coronavirus (COVID-19)Vaccinations. Disponível em: https://ourworldindata.org/covid-vaccinations (consultado em 18/08/2021).
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