22 abril 2022

+COVID-19: de novo o R(t) acima de 1 e em alta, mas ninguém se importa muito! e depois?

 


Antonio Sousa-Uva


Há cerca de 3 ou 4 semanas, por cá, ancorados em 9.000 a 10.000 casos diários mas, agora, com um índice de transmissibilidade já acima de 1. No entanto, ninguém se importa muito já que a pressão nos hospitais (e em outras unidades de saúde é "light") e, de facto, o verdadeiro motor da luta contra a pandemia, bem como os dados de mortalidade que permanecem "desinflamados" em cidadãos mais vulneráveis. Também a nível mundial a incidência parece estar, consistentemente, a "desinflamar", com cerca de metade da população (mais ou menos) vacinada, ainda que o continente Africano apresente baixas taxas de vacinação. 


As máscaras desaparecem no final desta semana, num quadro de mais de 90% da população vacinada e de uma prevalência da doença superior a 1/3 da população a que poderá corresponder cerca de metade da população que já contactou naturalmente com o vírus. Tais dados determinam por certo alguma dificuldade na circulação comunitária do SARS-CoV-2, como de resto se vem objectivando num número já significativo de países.


No mundo já passa dos 500 milhões de casos e mais de 6 milhões de mortes por (ou com) COVID-19. Mas, em termos concretos, quantos serão? Dir-se-ia que no mínimo cinco vezes o número de casos (cerca de 1/3 da população mundial) e três vezes o número de mortos (18 milhões de mortes).


Se uma nova variante não vier a modificar o actual desenrolar da pandemia, tudo leva a  que, brevemente, o vírus se tornará endémico. Cessa por isso, julgo, o apelo de cidadania que determinou as muitas dezenas de "migalhas" destes textos que foram entendidas como um diminuto contributo para melhor lidar com a situação de Saúde Pública e, quiçá, esta será uma das derradeiras reflexões publicadas neste blog. 


O que fica por realizar é um maior investimento do país em formas mais organizadas de lidar com problemas de saúde da nossa população que se situem para além da saúde individual de cada cidadão. Se todos entendemos que a saúde de cada um dos cidadãos é muito importante, seria desejável que o país aprendesse a investir mais na área da Saúde Pública, reiteradamente negligenciada e hipovalorizada nas políticas públicas de Saúde. Não terá sido a pandemia suficientemente impactante para determinar um maior investimento nessa área?


Em tempo ...


5 de maio de 2022

Em 5 de maio de 2022 (2 semanas depois) o R(t) mantém-se acima de 1 (e em crescendo)... e a média do número de casos diários subiu para 11.000. 


18 de maio de 2022

Os "buracos do queijo suíço" voltaram a alinhar-se e, hoje, em 18 de maio a subida é cada vez maior ... (ontem cerca de 24.000). Terá mais a ver com a "variante" da variante (Omicron Ba.5) ou com a cessação das medidas de prevenção? com ambas?

Certo, certo é que a incidência nos idosos bate máximos anteriores e espera-se que a imunoterapia específica continue eficaz na prevenção da doença grave. Ou será mais uma vaga (a sexta)?

Entretanto o número diário de urgências nas unidades hospitalares sobe!

Aquele papel de sermos todos "agentes de Saúde Pública", independentemente do enquadramento legal, volta a ser indispensável para não termos "derrapagens".


25 de maio de 2022

O vírus que circula predominantemente já é a variante Omicron Ba.5 e numa semana, ocorreram mais 50% de novos casos diários (agora 36.000) ... e a mortalidade sobe mais em maiores de 80 anos ...

Já estamos no pódio em relação à taxa de incidência!

Vamos ligar às disposições de obrigatoriedade ou à nossa inteligência? Estou em crer que, por mais (e maiores) vagas pandémicas, oscilaremos quase sempre entre o 8 e o 80 ... Deve-se recordar que o que caracteriza a Saúde Pública são formas ORGANIZADAS de lidar com problemas de saúde de uma determinada população o que parece sistematicamente "atrasado" em relação ao que seria desejável. 

Será porque quer a direcção seja "top/down", quer seja "bottom/up" parece que se "colocam as fichas todas" na saúde individual? Se não é, assim parece! e a Saúde Pública vai parecendo filha de um Deus menor! 

Claro que algumas medidas, como a utilização da máscara, pode ter repercussões na "musculação" do nosso sistema imunológico em relação a outros vírus (e outros agentes microbiológicos). Tal não invalida que, mesmo não sendo obrigatória a sua utilização, se adoptem comportamentos em cada situação, exigindo uma avaliação individual do risco dessa situação concreta.

É que, mesmo com mais de 90% de vacinados e, pelo menos, cerca de 50% que contactaram naturalmente com o vírus e adoeceram, as variantes vão "contornando" a nossa "memória imunológica".  Em síntese, o vírus faz o seu trabalho e nós temos que fazer o nosso ...


02 de junho

R(t) e número de novos casos a descer. Começou o "desce" do "sobe e desce", assim parece ... Veremos o que os Santos Populares nos reservam ...


21 de junho

Consistentemente em descida mesmo 8 dias após o Santo António...


30 de junho de 2022        

Santos passados e descida mantém-se, ainda que com muito pouca testagem a realidade possa ser bem diferente da informação publicada. Não sinto ninguém muito preocupado ...


19 de julho de 2022

Ba.5 com fartura ... Agora parece que a descida é consistente e, finalmente, não estaremos muito longe do 20 óbitos por milhão a 14 dias. Em setembro virão as vacinas omicron adapted e veremos o que se passará no inverno 22/23 ... 


28 de julho de 2022

Boas notícias ... a vacina "original" parece continuar a proteger da doença grave com estas novas linhagens da omicron (menos da reinfecção, ao que parece).


14 de agosto de 2022

R(t) abaixo de 1 há muitas semanas e descida consistente de novos casos (ainda que, certamente, muitos para o pino do verão). Agora estamos nos 2 a 3 mil casos diários. Já falta pouco para o inverno 22/23 ... Entretanto nova vacina aprovada no Reino Unido que se espera com mais eficácia tanto para a doença grave como para menos grave ... Veremos o que se vai passar.


02 de setembro de 2022

R(t) acima de 1. Começa cedo ... Discreto aumento de casos diários: epifenómeno ou início de nova "lomba"? Faz-me recordar as festas de Monte Gordo, também no início de setembro onde no carrossel se ouvia, repetidamente, durante a noite: "nova volta, nova corrida". Oxalá esteja enganado ...


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