11 março 2022

+COVID-19: o gap entre o necessário e o possível mantém-se!


 Antonio Sousa-Uva


Com o atraso que já nos é familiar em relação à necessidade, altera-se agora a periodicidade da publicação dos dados da incidência de casos de (ou com) COVID-19. Óptimo!

A questão é que os casos diários estabilizaram à volta dos 10.000 e há cerca de uma semana escalam (13.000-15.000) como se vislumbrava pela evolução do R(t) nos anteriores tempos mais próximos.

Passar directamente de uma periodicidade diária para semanal será a melhor opção?

Ao fim de dois anos não teria vantagens, pelo menos, passar intermediamente para tri (ou bi)semanal? 

Não poderá, no actual contexto, ser interpretado de forma errónea?

Nestas pequenas reflexões, a referência a tal realidade tem tido o epíteto de “é o que há!”, ainda que sempre com a esperança que ajudem o combate à pandemia e, nunca, que sejam interpretadas como críticas negativas às nossas Autoridades.

Briefing/debriefing e outros que tais, podem integrar aspectos da comunicação de risco que é determinante em qualquer estratégia de gestão de risco. Os aspectos de comunicação numa situação com a transmissibilidade do SARS-CoV-2 exige, como as Autoridades sempre se referiram, e bem, a “sermos todos agentes de Saúde Pública”.

Aspectos como a alteração da periodicidade da disponibilidade de dados indispensáveis à cultura (ou, pelo menos, ao clima) de segurança podem ter muito mais importância do que a que parece que lhe é atribuída.  

Mas, enfim, pode ser que seja a habitual tendência que temos de saltitar entre o 8 e o 80 que nos caracteriza … ou, ainda, considerar como sinónimos o “senso comum” e o “bom senso”.

De novo, ainda, é o que há!



02 março 2022

+COVID-19: dois anos de pandemia, desde os primeiros casos!


Antonio Sousa-Uva


Faz hoje, 2 de março de 2022, dois anos de pandemia desde os primeiros casos ocorridos em Portugal. A “gripezinha”, assim designada por gente com grandes responsabilidades, virou mais que “gripezona” e, agora após a evolução da partícula viral, nove dígitos (gordos) de casos e de cerca de 2/3 da população mundial com pelo menos uma dose da vacina, tudo leva a crer, que o prefixo pan vá ficando cada vez mais puído.

Entretanto, muito sofrimento humano ocorreu, assim como milhões de mortes. E muito ainda é necessário conhecer sobre as consequências da pandemia de que a síndrome pós COVID é apenas um exemplo.

Muitas lições, espera-se, serão tiradas para o futuro, adequando os sistemas de saúde a respostas que se devem situar muito para além da clínica individual. Aparentemente, essa clínica era praticamente a única preocupação e, por isso, é necessário robustecer formas organizadas de resposta da sociedade a outras novas ameaças que por certo virão.
 
Talvez não seja má ideia o reforço das estruturas da vigilância epidemiológica, da gestão de informação e da “musculação” de respostas organizadas (afinal, a Saúde Pública) a novas potenciais ameaças de natureza similar, para não falar do necessário reforço do investimento em literacia em saúde e de outros investimentos na Promoção e Protecção da Saúde, reiteradamente desvalorizadas. Muitas formas existem para tal reforço que não se esgotam nas abordagens para grupos (ou aspectos sectoriais) determinados, como são os exemplos da Saúde Ocupacional, da Saúde Ambiental ou da Saúde Escolar. Todavia, nem nestas áreas se investe o suficiente.
 
A Saúde Pública não é só o que se tem visto nestes dois anos: uma espécie de saúde vista pelo público e um ror de (pseudo)especialistas. Exige formas organizadas de protecção e de promoção da saúde das populações que, para além dos cuidados de saúde prestados a cada cidadão quando adoece, necessita de um grande investimento no robustecimento de meios e de recursos apropriados. Talvez resida nessa escassez uma das principais causas da insuficiência de muitas respostas em Saúde Pública, de que a resposta a uma emergência como a actual é apenas mais um exemplo.

Actuar antes que aconteça torna-se por isso decisivo, mas tal exige recursos não só de sistemas de vigilância e de intervenção, mas também de mais recursos de investigação com grande enfoque no que se convencionou denominar investigação/acção. Tal, de resto, está bem expresso na designação popular: mais vale prevenir que remediar. 

Todos conhecem o que é necessário para remediar, de que são bons exemplos os hospitais e os centros de saúde. Mas para prevenir são necessários também meios e recursos adequados e não apenas voluntarismo e boa vontade que, para alguns, parecem ser suficientes!


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